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Sabesp negocia renovação do uso do Cantareira

Valor Econômico, Empresa, p. B2
29 de Abr de 2014

Sabesp negocia renovação do uso do Cantareira

Por Olivia Alonso
De São Paulo

A Sabesp afirma em relatório que está "trabalhando" para renovar sua garantia de uso do Sistema Cantareira por 30 anos e para manter o mesmo direito de captação de água de 2004, de 33 m3 por segundo. A autorização para uso do sistema pela empresa, com prazo de dez anos, expira em agosto. A renovação terá que ser aprovada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).
O processo de renovação da autorização de uso do Cantareira foi temporariamente suspenso pelos dois órgãos neste ano, devido às condições climáticas atuais. Em março, os dois órgãos determinaram que a Sabesp restringisse a captação de água do Cantareira para 27,9 m3 por segundo por causa do baixo nível dos reservatórios do sistema.
Como resultado da seca e da exigência de redução de captação de água, os volumes faturados de água e esgoto pela Sabesp devem cair durante 2014, diz ainda a empresa. Além disso, a Sabesp informa que seus custos operacionais devem subir como resultado de maiores investimentos para mitigar o efeito da seca em seus sistemas de produção. As afirmações estão em seu relatório 20F, entregue à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de ações nos EUA.
Segundo a Sabesp, o Cantareira foi responsável por 47,1% da água fornecida pela empresa para a região metropolitana de São Paulo em 2013, o que representou 73,2% de sua receita bruta. Ontem, o nível do sistema estava em 11%, menor nível da história.
A Sabesp diz ainda que não pode assegurar que o programa de incentivo à redução do consumo - com desconto de 30% para quem diminui o gasto em 20% - será a única medida da empresa para enfrentar a situação de seca severa. E diz que ainda não pode estimar o impacto do programa em suas receitas.
Outro risco citado pela empresa é a possibilidade de que seja obrigada a pagar taxas substanciais para o uso de reservatórios que não são de sua propriedade.
A Sabesp diz ainda que eventuais interrupções do fornecimento de energia no Estado pode afetar seus custos e suas operações. Em 2013, a Sabesp usou 1,78% da energia total consumida no Estado de São Paulo.
A estatal menciona, no documento, alguns riscos decorrentes do fato de ser controlada pelo governo do Estado de São Paulo (que tem 50,3% de seu capital). A empresa afirma que os interesses do governo podem diferir dos interesses dos não controladores. "O Estado e empresas estatais nos devem dívidas não pagas substanciais. Não podemos assegurar quando e se o Estado vai nos pagar", afirma. Segundo a Sabesp, em 31 de dezembro o Estado devia R$ 63,9 milhões em serviços de água e esgoto para a empresa. A Sabesp não cita no relatório o risco de racionamento de água.

Valor Econômico, 29/04/2014, Empresa, p. B2

http://www.valor.com.br/brasil/3530278/ibama-libera-licenca-para-operac…

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