OESP, Economia, p. B12
07 de Abr de 2006
Russos estão de olho em Belo Monte e Rio Madeira
Investidores russos estão de olho no setor elétrico brasileiro. Em visita ao Brasil, nesta semana, o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Fradkov, e empresários do país se reuniram com as estatais Eletrobrás, Furnas e Petrobrás, além do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, para conhecer melhor alguns projetos. O maior interesse, no entanto, está na construção dos megaempreendimentos Rio Madeira e Belo Monte.
O Ministério de Minas e Energia afirmou que se trata de uma conversa inicial. Mas confirmou a intenção dos russos em fazer parcerias com os brasileiros na construção das hidrelétricas. Embora o encontro tenha ocorrido só agora, as manifestações dos empresários da Rússia começaram no ano passado em cartas enviadas ao ministro Silas Rondeau e a diretores de Furnas.
Nas correspondências, a empresa Technopromexport, que atua na criação de projetos e construção de usinas de geração de energia, afirma que "dispõe de meios tecnológicos, financeiros e comerciais para viabilizar projetos em âmbito mundial". "Nesse sentido, os projetos do Complexo Energético do Rio Madeira e Belo Monte se enquadram perfeitamente entre os projetos para cuja viabilização a Technopromexport poderá decididamente contribuir", afirma a empresa, em carta ao ministro.
As duas usinas do Complexo Rio Madeira podem entrar no leilão de energia previsto para o meio do ano caso consiga licenciamento ambiental, afirma o ministério. As hidrelétricas podem ser leiloadas individualmente ou juntas. O Complexo é formado pelas Usinas Jirau, de 3.300 megawatts (MW), e Santo Antônio, de 3.150 MW. Os dois empreendimentos somam investimentos da ordem de R$ 20 bilhões.
DECISÃO JUDICIAL
No caso de Belo Monte (5.500 MW), no Rio Xingu, o projeto já foi refeito inúmeras vezes e só deve ser leiloado no próximo ano. Até lá o governo terá de se esforçar bastante para conseguir convencer ambientalistas de que o projeto não representará prejuízos para a população que mora próximo ao rio. Na semana passada, o juiz federal Antonio Carlos Campelo determinou a paralisação de todos os procedimentos e audiências que antecedem a concessão de licença ambiental da usina.
De acordo com ambientalistas, pelas dimensões, a obra poderia provocar impacto ambiental significativo, já que a interrupção do curso do rio afetaria a viabilidade de locomoção no rio e diminuiria a oferta de peixes, fonte alimentar das comunidades indígenas. O ministério afirmou que já está recorrendo da decisão judicial.
OESP, 07/04/2006, Economia, p. B12
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