O Globo, Ciência, p. 34
03 de Dez de 2003
Rússia recua e resolve não assinar acordo do clima
MILÃO, Itália. Acabaram-se ontem as chances concretas de que o Protocolo de Kioto, o tratado mundial para combater as mudanças climáticas, tivesse êxito. A Rússia, um dos maiores poluidores do mundo, anunciou que não assinará o protocolo nos "termos atuais". Como os Estados Unidos, os principais responsáveis pela emissão de gases associados ao aquecimento global, se recusam a aceitar Kioto, as esperanças para salvar o acordo se depositavam na Rússia.
Ano passado o governo russo chegou a dar sinais de que poderia assinar o tratado, cujos signatários se comprometem a cortar as emissões de gases poluentes, entre 2008 e 2012, 5,2% abaixo dos níveis de 1990. Para que o protocolo entre em vigor é preciso que 55 países o ratifiquem, incluindo os países industrializados responsáveis por 55% das emissões de dióxido de carbono, o principal gás associado ao aquecimento global.
Países em desenvolvimento, como China, Brasil e Índia, não são obrigados a fazer cortes em suas emissões. Mas, como os EUA, a Rússia diz que o Protocolo de Kioto trará perdas intoleráveis para sua economia.
- Nos termos atuais, o Protocolo de Kioto limita o crescimento econômico da Rússia - disse o principal assessor governamental russo para assuntos econômicos, Andrei Illarionov.
O anúncio foi feito em Milão, na nona rodada de negociações sobre o protocolo. Na conferência, a decisão russa soou como a sentença de morte do protocolo, proposto em 1997, numa conferência sobre mudanças climáticas organizada pela ONU na cidade japonesa de Kioto.
Até agora, os países que ratificaram o protocolo, incluindo o Brasil, respondem por apenas 44% das emissões de gases associados ao aquecimento global. A Rússia sozinha responde por 17% das emissões e sua adesão poderia salvar o acordo, agonizante desde que o presidente George W. Bush decidiu retirar a participação americana.
O governo americano, inclusive, voltou a atacar o acordo. Num artigo publicado em jornais americanos, a subsecretária americana para assuntos globais, Paula Dobriansky, disse que o acordo é inviável. Ambientalistas acreditam que a proximidade das eleições russas, no fim de semana, motivou a decisão de Moscou.
Entenda o efeito estufa
Um erro freqüente é confundir aquecimento global com efeito estufa. Eles estão relacionados, mas não são a mesma coisa. O efeito estufa é um processo natural, sem o qual o planeta seria muito mais frio. Consiste no aprisionamento de parte da radiação do Sol (calor) nas camadas elevadas da atmosfera. Mas o calor também é capturado pelos chamados gases estufa. Acredita-se que o homem tenha intensificado o efeito estufa ao emitir imensas quantidades desses gases, sobretudo o dióxido de carbono, provocando o aquecimento global.
O Globo, 03/12/2003, Ciência, p. 34
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