VOLTAR

Ruralistas apostam em Henrique Alves para impor agenda legislativa

Valor Econômico, Política, p. A6
11 de Jan de 2013

Ruralistas apostam em Henrique Alves para impor agenda legislativa

Caio Junqueira
De Brasília

A bancada ruralista na Câmara dos Deputados aposta na provável substituição do PT pelo PMDB no comando da Casa para fazer avançar sua agenda de 2013. Embora avaliem que a gestão do petista Marco Maia (RS) tenha rendido bons frutos, como a aprovação do Código Florestal, a expectativa é de que com o pemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) os ganhos sejam maiores.
O próprio Alves já fez essa sinalização em um almoço em dezembro com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que agrega 237 parlamentares e 15 senadores. Ali, prometeu atender a todas reivindicações, entre as quais se destacam a constituição de uma comissão especial para analisar a proposta de emenda constitucional (PEC) 215, que dá ao Congresso a prerrogativa na demarcação das terras indígenas; a elaboração de um projeto de lei que defina trabalho escravo e a flexibilização da legislação trabalhista rural.
"Ele [Alves] achou as reivindicações muito justas. O PMDB historicamente é um aliado das causas do agronegócio. Achamos que vamos ter um diálogo muito melhor com ele. O PT mistura muito a questão ideológica, acham que fazemos lobby, mas na verdade reagimos às leis e decretos do governo que interferem na atividade rural", disse o deputado Homero Pereira (PSD-MT), presidente da FPA.
Ele acrescenta ainda dois outros pontos que fizeram parte de uma espécie de carta-compromisso entregue pelos ruralistas a Alves. O que lhe garantiu, segundo Pereira, o voto da "ampla maioria" dos ruralistas. Um é a aprovação de um projeto de lei complementar que diminui a incidência de tributos sobre as cooperativas. O outro, a aprovação do Orçamento impositivo.
O mais polêmico deles, porém, com a promessa de ser "o novo Código Florestal", em razão do tensionamento político, é a PEC das terras indígenas. Ela transfere do Executivo para o Legislativo a competência exclusiva para aprovar a demarcação das terras indígenas e ratificar as demarcações já homologadas. Também estende essa prerrogativa na demarcação de áreas de conservação ambiental e terras quilombolas.
Uma prévia desse embate foi vista em 2012, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara a aprovou, após meses de tentativas e entraves articulados pelo PT. O próximo passo é a instauração de uma comissão especial, pois se trata de uma PEC. Uma vez aprovada nessa instância, segue direto ao plenário. "Esse debate vai ser o mais acalorado, é bem parecido com o Código Florestal", afirma o ex-presidente da FPA, Moreira Mendes (PSD-RR), que comandou os ruralistas durante a gestão Marco Maia. Ele elogia o petista, mas acha que com Alves o avanço dos ruralistas será bem maior.
"Ele [Maia] foi muito correto com a gente, cumpriu alguns compromissos. Mas tem um defeito de origem, que se chama PT. O PT complica demais as coisas no Congresso e no país, monitora tudo, principalmente seus líderes no Congresso. Se eles são contra algo, fica muito complicado de ser aprovado", afirma, fazendo a comparação com o provável sucessor: "O PMDB é mais prático".
Único petista a atuar no comando da FPA - é vice-presidente regional do Nordeste -, o deputado Geraldo Simões (BA), ex-secretário de Agricultura do governador Jaques Wagner, confirma haver preconceito do PT em relação aos ruralistas. "Isso decorre da nossa formação e ligação com a reforma agrária, agricultura familiar e sindicatos de trabalhadores rurais", afirma.
Mas defende que isso seja mudado. "É um preconceito que precisa ser removido. Estabelecemos relações com banqueiros, multinacionais, construtoras, qual o problema não estabelecer relação com esse setor, que é responsável por um terço do PIB. O PT deve fazer a revisão em relação a agricultura como um todo."
Também se coloca como favorável ao debate sobre a PEC das terras indígenas. "A Funai não pode ter esse poder absoluto, de desapropriar com base em um laudo complexo de uma antropóloga. Se o Congresso pode afastar presidente da República, por que não pode determinar o que é ou não é terra indígena?", conclui.

Valor Econômico, 11-13/01/2013, Política, p. A6

http://www.valor.com.br/politica/2966170/ruralistas-apostam-em-henrique…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.