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Ruralista quer impeachment no Pará

OESP, Nacional, p. A12
23 de Abr de 2009

Ruralista quer impeachment no Pará
Após conflito em Xinguara, CNA também aciona Ministério Público pedindo intervenção no Estado

Felipe Recondo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vai protocolar na próxima semana um pedido de impeachment contra a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), por descumprir decisões judiciais que ordenam a retirada de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) de fazendas no Estado. No sábado à tarde, um confronto armado entre militantes do MST e seguranças de uma fazenda, em Xinguara, no sul do Estado, deixou oito feridos.

Uma ação civil pública já formulada pela CNA, que pede o impeachment de Ana Júlia, será levada à Assembleia Legislativa do Pará. "Nós queremos já na semana que vem protocolar esse pedido", afirmou a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da entidade.

Depois do conflito de sábado na Fazenda Castanhais - pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, do grupo do banqueiro Daniel Dantas -, Kátia pediu ao Ministério Público intervenção federal no Estado. Em março, a CNA havia solicitado à Justiça paraense que decretasse a intervenção no Pará, mas o caso ainda não foi analisado.

Durante o enfrentamento, jornalistas e uma advogada foram mantidos reféns pelo MST, usados como "escudo humano". Entre as reações, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota de repúdio ao que chamou de "ação criminosa" dos sem-terra. Em outra nota, o MST negou ter mantido reféns e acusou os seguranças de planejarem um massacre.

TROPA

De acordo com a CNA, 111 decisões judiciais de reintegração de posse, algumas julgadas há mais de um ano, são descumpridas pelo governo do Estado, o que permitira a intervenção e o pedido de impeachment.

"O poder Executivo do Pará transformou-se no último juiz das invasões de terra. Quem decide se as áreas invadidas devem ser ou não desocupadas é a governadora do Estado, autoridade que se substitui ao Judiciário, julgando em última instância o direito dos produtores rurais", reclamou a senadora, na representação protocolada no Ministério Público.

A representação protocolada ontem precisa ainda ser analisada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Se concordar com o pedido, o procurador encaminhará o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde o assunto será definitivamente julgado.

REFORÇO

Para evitar novos conflitos na região, o governo do Estado pediu e o governo federal aceitou mandar para a região 50 homens da Força Nacional de Segurança - 20 partirão de Brasília hoje e outros 30 chegarão no final de semana ao Pará.

Esses agentes farão apenas o policiamento ostensivo nas ruas de Belém, o que deve liberar a tropa especializada em conflitos agrários a realizarem as reintegrações de posse já decididas pela Justiça e coibir novos enfrentamentos entre fazendeiros e sem terra.

Em nota, o governo do Pará informou que as ações para reintegração de posse foram reiniciadas em abril deste ano, "havendo executado, exitosamente, nove reintegrações nos últimos 15 dias". Ainda de acordo com o texto veiculado pelo governo do Estado, as operações prosseguem "conforme planejamento pactuado com o Judiciário". Em nota anterior à imprensa, divulgada após o conflito, o governo já alegara que "não tem medido esforços para diminuir a violência agrária".

''É um desrespeito'', afirma líder

Clarissa Oliveira

O líder do governo de Ana Júlia Carepa (PT) na Assembleia Legislativa paraense, deputado Carlos Martins (PT), minimizou o pedido de impeachment que está sendo preparado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Ele acusou a entidade e a senadora Kátia Abreu (DEM) de favorecerem o clima de conflito na região, num plano para "criminalizar os movimentos sociais". "Isso tudo é um desrespeito ao governo do Pará, um insulto a todos nós e uma falta de seriedade da parte da senadora", afirmou o deputado. Dizendo não haver motivos para preocupação no governo, ele afirmou que a administração de Ana Júlia tem dado prioridade às ações de reintegração de posse. "O governo está fazendo sua parte. Até agora, já foram executadas 70 reintegrações de posse", completou o parlamentar. O governo do Pará informou, por meio de sua assessoria, que vai analisar procedimentos a serem tomados diante da ação.

OESP, 23/04/2009, Nacional, p. A12

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