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Ruralista prevê enfrentamento com índios em MS

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: ROLDÃO ARRUDA
11 de Set de 2003

Vanth Vanni Filho ataca Funai e conselho indigenista e alerta que fazendeiros 'não agüentam mais'

Os conflitos entre grupos indígenas e proprietários rurais vão se agravar em Mato Grosso do Sul, segundo o líder ruralista Vanth Vanni Filho, de Campo Grande. Integrante da organização não-governamental Reconvê e um dos articuladores da reação dos fazendeiros daquele Estado às recentes ações das tribos indígenas, que ocuparam propriedades rurais reivindicando a ampliação de suas reservas, ele diz: "Se não houver decisões políticas rápidas, vai ocorrer uma explosão por aqui, pois os fazendeiros não agüentam mais o grau de tensão a que têm sido submetidos, que impede muitos deles até de produzir para sobreviver."

Para Vanni, as ações dos índios têm sido insufladas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi): "São eles que coordenam todas as ações por aqui, semeando a bagunça." O líder ruralista também responsabiliza os antropólogos da Fundação Nacional do Índio (Funai) pelo agravamento das tensões: "Vivem pregando que os índios devem ter toda a terra que precisam para sobreviver, baseados no princípio de que ainda são silvícolas, que vivem da pesca e da caça. Isso é uma ficção. Pode valer lá no fundo da Amazônia, mas não é assim por aqui, onde muitos índios têm antena parabólica, vivem na cidade, têm outros padrões."

Outro fator de agravamento da crise, segundo Vanni, é o crescimento da população indígena no Estado: "Isso vai aumentar a pressão por mais terra para as reservas como uma bola de neve."

Perda - Vanni é criador de gado em Sidrolândia, a 97 quilômetros da capital. Sua propriedade, de 1.180 hectares, faz divisa com a Aldeia Buritis - dos índios terenas - e pode desaparecer se a reivindicação deles, de ampliação da reserva, for atendida.

"Não dá para entender como posso perder uma propriedade com títulos que datam de 1912, porque os antropólogos definiram que no passado os índios caçavam aqui", afirma. "Outros 20 proprietários aqui da região também estão sendo ameaçados. E no Estado existem outras aldeias terenas com o mesmo tipo de conflito."

A origem do problema, segundo Vanni, é a portaria da Funai, do ano 2000, que permite a revisão dos limites das reservas. Ele também defende a revisão do artigo 231 da Constituição Federal, que trata do assunto. "Se formos seguir à risca o que está ali, toda a terra do País é dos índios e pode ser tomada.

O que defendemos é a desapropriação. Ao redor da Aldeia Buritis existem terras que podem ser compradas para a ampliação da reserva."

Compra - O ruralista reconhece as dificuldades dos indígenas. "A maioria depende de cestas básicas", diz. "Mas isso não se resolve apenas com a ampliação de reservas. Aqui temos o caso dos kadiwéu, que têm 500 mil hectares e vivem numa situação pior do que a dos terenas.

Estão olhando a terra e morrendo de fome."

A ONG Reconvê (expressão usada na língua guarani para expressar a idéia de viver bem com o outro) foi criada com o objetivo de facilitar as relações entre os brancos e os índios, segundo Vanni. Com 44 anos e pai de duas crianças, ele diz que sempre conviveu bem com seus vizinhos e não tem interesse no conflito. Mas que não haverá como evitá-lo se os índios retomarem as ações violentas, como a invasão de propriedades e destruição de culturas, como ocorreu recentemente na área de Sidrolândia. No total, 11 fazendas foram invadidas pelos terenas, que chegaram a fazer reféns

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