O Globo, O Pais, p.12
04 de Mar de 2005
Rodrigues defende mudanças administrativas
Lydia Medeiros e Adriana Vasconcelos
A poucos dias da reforma ministerial anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, mostrou aos senadores do PMDB as mudanças que gostaria de ver no primeiro escalão. Num café da manhã oferecido à bancada do partido, Rodrigues criticou decisões administrativas do governo, como o fato de sua pasta não controlar os programas voltados à agricultura familiar, hoje sob o comando do ministro petista Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário.
Rodrigues também lamentou que projetos de reflorestamento estejam no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, outra pasta comandada por um petista, a senadora Marina Silva.
Por fim, afirmou que o Itamaraty não seria o interlocutor adequado para tratar de questões comerciais em fóruns internacionais. Mas evitou críticas aos petistas.
Rodrigues, provocado pelo senador João Batista Motta (ES), admitiu sua preocupação com o clima de confronto criado entre os defensores do agronegócio e a agricultura familiar. Confronto que existe dentro do próprio governo.
Rodrigues: invasão de terras atrapalha investimentos
Ele manifestou surpresa com as declarações do presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno, que apontou o agronegócio como o grande problema do país. E defendeu o fim da divisão interna.
- Não existem dentista pequeno e dentista grande. Existe dentista. Essa é uma divisão odiosa, dizer que existem o agronegócio e a agricultura familiar. É uma cadeia produtiva só - disse Rodrigues.
O ministro afirmou que as invasões de terras produtivas atrapalham investimentos na agricultura, especialmente os europeus, ao comentar um pedido dos senadores Leomar Quintanilha (TO) - grande produtor - e Alberto Silva (PI). Ambos fizeram um apelo para que Rodrigues levasse ao ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, e ao próprio presidente essa inquietação.
- Gostaria que o senhor apresentasse ao presidente um novo argumento: ele jurou defender as leis do país, e a propriedade privada existe - observou Alberto Silva.
- Gostei. Também vou usar esse argumento - respondeu Rodrigues.
O ministro defendeu ainda a proposta de as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) saírem da alçada do Itamaraty. No ministério, foi criado um departamento específico de Relações Internacionais.
- Negociação é coisa de negociador. Temos de ser mais duros. O Itamaraty age na diplomacia - argumentou.
Outra preocupação de Rodrigues exposta aos senadores foi o Ibama. Segundo ele, o órgão está atrasando várias ações do governo em diversas áreas. Como exemplo, citou casos de vias fluviais no Tocantins interditadas pelo órgão.
Rodrigues se somou aos opositores da MP 232, que corrige a tabela do Imposto de Renda e aumenta a carga tributária dos prestadores de serviço. Segundo ele, a agricultura é bastante afetada e a medida deve ser modificada.
O Globo, 04/03/2005, O País, p. 12
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