OESP, Metrópole, p. A13
07 de Mai de 2013
Rochas indicam 'Atlântida' no litoral brasileiro
HERTON ESCOBAR E GIOVANNA GIRARDI - Agência Estado
Pesquisadores brasileiros e japoneses apresentaram, na segunda-feira, 06, os primeiros resultados dos mergulhos mais profundos já feitos no Atlântico Sul. A bordo do minissubmarino Shinkai 6500, da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar (Jamstec), eles desceram a mais de 4 mil metros de profundidade em dois pontos distantes da costa brasileira, trazendo imagens inéditas para a Biologia e da Geologia. E até brincaram, dizendo terem descoberto a "Atlântida brasileira", em referência ao continente mitológico no fundo do mar.
Na Geologia, a descoberta mais interessante é que a Elevação do Rio Grande tem uma base de rocha granítica, o que sugere fortemente que essa formação esteve conectada ao continente no passado. "A expedição foi um sucesso", comemorou o biólogo brasileiro Paulo Sumida, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), um dos quatro brasileiros que tiveram o privilégio de mergulhar com o Shinkai. O navio no qual eles viajavam, o Yokosuka, chegou no domingo ao Rio, após duas semanas de pesquisa em alto-mar.
O objetivo principal da expedição, parte de um projeto global da Jamstec chamado Busca pelos Limites da Vida, era procurar por ambientes chamados quimiossintéticos, com base em microrganismos que sobrevivem totalmente isolados da luz solar, alimentando-se diretamente de substâncias químicas que "exalam" do subsolo oceânico ou crescendo sobre carcaças de baleias. Alguns ambientes desse tipo foram encontrados, mas os detalhes são mantidos em sigilo, para não prejudicar a publicação científica dos dados mais adiante.
Seja como for, as imagens preliminares apresentadas nesta segunda já representam um marco para a Oceanografia brasileira e internacional, considerando que nunca foram realizados mergulhos antes a essa profundidade nesta região. "O Atlântico Sul é uma grande fronteira inexplorada das ciências marinhas", disse o cientista chefe da expedição, Hiroshi Kitazato. "Tudo que a gente viu é novidade."
Próximo passo
Pelas janelas e câmeras do Shinkai, os pesquisadores avistaram uma série de organismos que vivem na escuridão profunda, incluindo peixes, polvos, camarões, caranguejos, anêmonas pepinos do mar e corais. Foram realizados sete mergulhos: cinco na Dorsal de São Paulo, no borda da plataforma continental, e dois na Elevação do Rio Grande, uma enorme chapada submersa a 1,5 mil km da costa do Rio. A segunda pernada da expedição será sobre a Bacia de Santos, entre Rio e São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Duas perguntas para...
Roberto Ventura Santos, diretor do Serviço Geológico do Brasil
1. De que informações vocês precisam para comprovar que se trata mesmo de um continente perdido?
Precisamos saber, em primeiro lugar, se a rocha que encontramos no ano passado e mesmo daquele monte que foi visualizado agora nos mergulhos dos pesquisadores. Por isso, pretendemos fazer perfurações de ate 6 metros para analisar o material. O tipo de rocha e fundamental, assim como sua idade. Imaginamos que tenha mais de 200 milhões de anos, que e a idade da crosta oceânica que separa África da América do Sul.
2. Qual a implicação disso?
Se o monte for de fato mais antigo, pode se tratar de uma lasca perdida da Pangeia (união dos dois continentes). Implicaria uma nova extensão da plataforma continental. / G.G.
OESP, 07/05/2013, Metrópole, p. A13
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