O Globo, Economia Verde, p. 34
Autor: VIEIRA, Agostinho
19 de Abr de 2012
Rio+20: Brasil, entre o fiasco e a liderança
Em 2009, durante a COP-15, em Copenhague, o Brasil surpreendeu o mundo ao anunciar metas voluntárias de redução dos gases de efeito estufa. É verdade que, desde então, quase nada foi feito. É certo também que interesses políticos domésticos contribuíram para a decisão. Mas ali, diante do mundo, parecíamos uma nova potência. Um país com a autoridade de quem vinha crescendo, ao mesmo tempo em que reduzia o desmatamento e a miséria.
A dois meses da Rio+20, a história é outra e estamos numa encruzilhada: Ou assumimos a liderança ou corremos o risco de pagar um dos maiores micos da história, daqueles que já deveriam estar em extinção. Discussões semânticas sobre economia verde e escolhas entre ter agências ou programas ambientais não vão nos levar a lugar algum. Ou melhor, podem nos largar na estrada da irrelevância.
Se os acordos multilaterais parecem difíceis ou impossíveis, por que não tomar a iniciativa e servir de exemplo? Não precisamos do aval dos EUA, da Alemanha ou da ONU para ter metas de desenvolvimento sustentável, claras e quantificáveis. Uma delas, por exemplo, poderia ser zerar o desmatamento, como defende o Greenpeace. Ou zerar a perda líquida de florestas. Áreas plantadas menos áreas desmatadas, como prega o professor Carlos Nobre, do INPE.
Não vamos falar de CO2, pois isso faz parte da Convenção do Clima, mas dá para aumentar o percentual de energias renováveis. Não são fantasias. Pode-se otimizar o uso de água na agricultura. É possível assumir o compromisso de duplicar as áreas protegidas. Ou qualquer outra iniciativa que ponha o país na direção de uma economia de baixo carbono. O que não dá é para agir como meros espectadores. Nesse caso é melhor dar uma desculpa, dizer que estamos ocupados organizando a Copa do Mundo e adiar o evento.
O Globo, 19/04/2012, Economia Verde, p. 34
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