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Rio: retirada de índios acaba em confronto

OESP, Metrópole, p. C4
23 de Mar de 2013

Rio: retirada de índios acaba em confronto
PMs usaram bombas de gás contra manifestantes que tentavam impedir desocupação do antigo Museu do Índio, próximo ao Maracanã

Marcelo Gomes / RIO

Após nove horas de negociação, cerca de 30 policiais militares do Batalhão de Choque invadiram ao meio-dia de ontem o prédio do antigo Museu do Índio, nas proximidades do Estádio do Maracanã, na zona norte do Rio, para retirar os ativistas que resistiam à desocupação do local.
Os PMs usaram spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo, que tentava impedir a saída dos indígenas que ocupavam o casarão desde 2006. Houve confusão, gritaria e empurra-empurra.
Em seguida, os manifestantes interditaram por meia hora os dois sentidos da Avenida Radial Oeste, uma das principais vias de ligação da zona norte com o centro da cidade.
Cerca de cem PMs cercaram o prédio às 3h, para cumprir decisão da Justiça Federal que determinou a desocupação do imóvel.
Aaçãoestavaprevistaparacomeçaràs6h, mas impasses nas negociações atrasaram os planos. Às 11h30, uma espécie de oca construída no terreno do museu pegou fogo. Após os bombeiros debelarem as chamas, a PM invadiu o local.
O defensor público federal Daniel Macedo classificou de "truculenta" a ação da polícia. Ele não descarta a possibilidade de processar por abuso de autoridade e descumprimento de ordem judicial o oficial que deu a ordem para a tropa invadir a Aldeia Maracanã.
"A decisão judicial era clara: a desocupação deveria ser feita sem violência. Os policiais jogaram spray de pimenta nos índios, inclusive em uma criança de 2 anos."
O porta-voz da PM, coronel Frederico Caldas, disse que a invasão do prédio aconteceu após os manifestantes atearem fogo à oca e resistirem à desocupação.
"Os índios saíram pacificamente, mas algumas pessoas permaneceram lá dentro e atearam fogo em madeiras. Havia risco de queimar o prédio. Por isso o Choque entrou." Depois de jogar pedras nos policiais, os manifestantes tentaram fechar vias e atacaram a imprensa, ainda de acordo com o oficial. A ação enérgica da polícia foi em decorrência dessa "postura intolerante", afirmou. Quatorze dos 22 índios retirados foram levados para um abrigo para moradores de rua no centro da cidade.

OESP, 23/03/2013, Metrópole, p. C4

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