O Globo, Ciência, p. 36
17 de Mai de 2012
Rio Negro atinge maior nível desde 1903 e ameaça transbordar
Fenômeno pode sofrer influência das mudanças climáticas do planeta
Danilo Fariello
danilo.fariello@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA - O nível do Rio Negro subiu três centímetros em apenas 24 horas e atingiu ontem o maior marca desde 1903, quando começaram as medições. A profundidade do rio no porto de Manaus chegou a 29,78 metros. O recorde anterior foi registrado em 2009, aos 29,77 metros.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (conhecido como CPRM), responsável pela medição, o nível do rio pode subir ainda alguns centímetros nos próximos dias. Normalmente, o nível máximo da cheia é atingido em meados de junho, mas neste ano o pico da inundação foi antecipado, disse o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial do CPRM, Thales Sampaio.
- A cheia deste ano está esquisita, adiantada, e é possível que suba alguns centímetros ainda, porque está chovendo muito na cabeceira do Rio Negro.
No início do mês, o próprio CPRM apontou que o nível máximo este ano atingiria 30,3 metros, mas, agora, Sampaio acredita que o rio não vai subir tanto:
- Espero que não chegue mais a 30 metros como prevíamos.
Segundo Thales, a cidade de Manaus foi construída para suportar uma cheia de até 30 metros. Por conta das previsões, o Ministério da Integração Nacional tem coordenado equipes para minimizar os impactos da cheia, principalmente nas comunidades ribeirinhas urbanas. Reuniões para tratar do impacto das variações climáticas na região têm sido feitas na Casa Civil, sob o comando da ministra Gleisi Hoffmann. Participam do esforço também os ministérios da Saúde e da Defesa, além de Integração Nacional e Minas e Energia.
O Ministério da Integração liberou R$ 26,5 milhões para atendimentos de emergência às vítimas da cheia no Amazonas. Cerca de meio milhão de pessoas podem ser transferidas ou ficar desabrigadas pelo impacto das chuvas, que podem afetar principalmente o saneamento básico das cidades da Amazônia.
Sampaio, da CPRM, destaca que, ao mesmo tempo que a bacia hidrográfica do Amazonas chega ao seu nível máximo histórico, o semiárido nordestino passa por uma das piores secas dos últimos tempos e os deslizamentos no Sudeste são cada vez mais frequentes. Para ele, porém, não se pode creditar as variações apenas ao aquecimento, uma vez que o planeta naturalmente passa por ciclos naturais em que os limites conhecidos são atingidos.
O Globo, 17/05/2012, Ciência, p. 36
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