O Globo, Rio, p. 20
29 de Mai de 2013
Rio não avança no tratamento do lixo
Segundo Abrelpe, em 2012 estado só levou 68% do lixo para aterros
O Rio de Janeiro não conseguiu avançar no tratamento de seu lixo. Em 2011, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o estado tratou de forma adequada, levando para aterros sanitários, 68% de seus resíduos. Em 2012, foram 68,1%, um crescimento de apenas 0,1%. O cenário ganha contornos mais dramáticos a apenas um ano do fim do prazo dado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, cuja meta é extinguir os lixões no Brasil até agosto de 2014. E a Abrelpe avisa: se continuar nesse ritmo, o Rio não cumprirá o que foi acordado.
- Isso é preocupante, porque a geração de lixo continua crescendo (de 2011 para 2012, o aumento foi de 1,5%). Temos um déficit considerável a superar até 2014. Estamos caminhando na direção correta, mas a passos lentos - afirma o diretor executivo da Abralpe, Carlos Silva Filho.
A pesquisa da Abrelpe, que foi divulgada ontem, em São Paulo, revela ainda outro dado grave: em vez de diminuir, a destinação inadequada do lixo (lixões e os chamados aterros controlados) no país aumentou, tanto percentualmente quanto em toneladas. De 41,94% (equivalente a 23,3 milhões de toneladas) em 2011, os resíduos que vão para locais inadequados subiram para 42,02% (ou 23,8 milhões de toneladas) em 2012. A destinação adequada (aterros sanitários, Reciclagem e recuperação do lixo) manteve-se na casa dos 58%. Mas, em compensação, aumentou em toneladas: de 32,2 milhões, em 2011, para 32,8 milhões em 2012.
- Com a divulgação desse estudo, pretendemos abrir a discussão para levantar que medidas são necessárias a fim de conseguirmos acelerar essa evolução para, se não conseguimos atingir a meta em agosto de 2014, chegarmos bem perto - diz Silva Filho.
De acordo com o diretor da Abrelpe, no entanto, há esperança: apesar de estar pior que São Paulo percentualmente na destinação inadequada (22% de lixo sendo tratado de forma errada em São Paulo, contra 32% no Rio), o volume de resíduos é menor na capital fluminense: 6.500 toneladas são destinadas de forma inadequada diariamente no Rio, enquanto em São Paulo, o número é de 13 mil toneladas por dia. - É muito mais fácil tratar de forma correta 6.500 toneladas do que 13 mil - avalia Silva Filho. - Mas é importante ressaltar que a gestão de resíduos sólidos de forma boa ou ruim depende de três fatores: o papel do cidadão, a atuação do poder público e a sustentação econômica de todo esse serviço.
O Globo, 29/05/2013, Rio, p. 20
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