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Rio ganha um mapa verde

O Globo, Razão Social, p. 8
06 de Set de 2011

Rio ganha um mapa verde

Martha Neiva Moreira
martha.moreira@oglobo.com.br

A Região dos Lagos tem um tipo de vegetação rara de Mata Atlântica que só existe em pouquíssimos fragmentos no estado. Além disso, tem espécies da fauna ameaçadas de extinção. Por isso, o local é uma área prioritária para projetos de restauração da cobertura vegetal. Este conjunto de informações faz parte do estudo "O estado do ambiente - indicadores ambientais do Rio de Janeiro - ano 2010", que a Secretaria de Estado de Ambiente vai divulgar até o fim deste mês. Editado sob a forma de um livro de luxo, a pesquisa será distribuída para as prefeituras, universidades e centros de pesquisa, e promete ser um instrumento importante para gestores públicos planejarem suas ações, levando em conta a sustentabilidade regional.
Semelhante ao "Mapa verde de Santiago", criado em 2008 no Chile com o apoio da Natura, que é uma espécie de guia de planejamento sustentável, o atlas verde do Rio foi feito a partir do cruzamento de dados ambientais, sociais e econômicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e entidades como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O resultado são 30 novos indicadores que descrevem as condições socioeconômicas e ambientais das diferentes regiões do estado. Assim, é possível saber, por exemplo, qual o potencial poluidor dos grandes empreendimentos licenciados no estado ou a melhor atividade econômica para cada região, levando-se em conta a preservação da cobertura vegetal. O trabalho levou mais de um ano e foi feito por uma equipe do Inea, que decidiu organizar as informações em mapas para facilitar a consulta.
- Cruzamos todos os tipos de informações possíveis para criar cada um dos mapas, desde uso do solo, fragilidade regional, disponibilidade hídrica até atividade econômica. Muitos dos dados já existiam, mas nunca tinham sido relacionados entre si para criar indicadores. Por isso os mapas são inéditos - contou a bióloga Julia Bastos, uma das coordenadoras da equipe da secretaria.
Um dos mapas, por exemplo, mostra as principais atividades econômicas em cada região e quais as unidades de conservação e fragmentos de áreas verdes próximas de cada empreendimento já existente no estado.
- A partir deste mapa, por exemplo, será possível planejar condicionantes ambientais que atendam às necessidades de uma região, em caso de licenciamento de um novo empreendimento. Este estudo pode servir para o gestor público tomar decisões - disse o secretário de Estado de Ambiente, Carlos Minc.
Além da distribuição dos três mil livros, a pesquisa estará disponível no portal da Secretaria a partir de outubro.

Um zoom sobre as regiões do estado

Áreas com maior potencial poluidor pelas atividades licenciadas: Macaé, em função da atividade petrolífera; Rio de Janeiro (incluindo Dique de Caxias e Santa Cruz), pela atividades portuárias off-shore, petrolífera e siderúrgica; e Vale do Paraíba, por causa das atividades petrolífera e de siderurgia.

Áreas prioritárias para conservação: A Restinga de Gruçaí , pela necessidade de mitigar os efeitos de empreendimentos como Porto Açu; Região dos Lagos; pela importância da vegetação remanescente e pelas espécies da fauna ameaçadas de extinção; Região Serrana, pela fragilidade física das encostas; e municípios no entorno de Itaperuna, noroeste do estado, onde há, apenas, uma Unidade de Conservação.

Área prioritária para restauração: Região dos Lagos, pela riqueza da biodiversidade e espécies da fauna ameaçadas de extinção; Restinga de Gruçaí, região em torno da Bacia de Campos e áreas dos municípios de São Fidélis e Paty do Alferes, pelo potencial de conectividade entre os fragmentos de vegetação remanescentes, que podem criar corredores ecológicos.

Áreas com mais susceptibilidade a incêndios naturais: Norte e noroeste fluminense, que têm muitos hectares dedicados ao cultivo de gêneros agrícolas e pastagem.
Como o capim colonião, espécie vegetal típica da região, é um agente de alta combustibilidade, a área é apontada como uma das que mais apresentam risco de incêndios naturais.

O Globo, 06/09/2011, Razão Social, p. 8

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