O Globo, Amanhã, p. 9
26 de Mar de 2013
Rio emite, Amazônia compensa
Acordo entre governos pretende impulsionar projetos de REDD. Florestas do Acre compensariam emissões de gases do efeito estufa das indústrias fluminenses
CAMILA NOBREGA
camila.nobrega@oglobo.com.br
O Rio de Janeiro vai apostar na parte da Floresta Amazônica do Acre para compensar as emissões de gases de efeito estufa de indústrias fluminense. Essa é a intenção de um Termo de Cooperação Técnica assinado pelos governos do Rio de Janeiro e do Acre, além do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). O acordo foi firmado na última semana. O pacto pretende estimular iniciativas de Redução de emissões por desmatamento e Degradação (REDD). O Rio já possui um mercado de carbono, idealizado pela subsecretaria de economia verde, subordinada à Secretaria estadual do Ambiente (SEA). Falta ainda, porém, que a lei seja regulamentada, o que pode ocorrer em breve, especialmente se crescerem os projetos de REDD no país. O Acre aparece como parceiro em potencial, pois possui razoável percentual de Floresta Amazônica preservada. Na prática, indústrias fluminenses poderiam, em vez de reduzir suas emissões, comprar créditos de carbono de projetos de lá voltados para a conservação da floresta de pé. Segundo o diretor de Infraestrutura Social, Agropecuária, Inclusão Social e Meio Ambiente do BNDES, Guilherme Lacerda, o objetivo da parceria é acelerar a criação de novos projetos voltados para preservação. - De um lado, temos um estado com alto nível de preservação de florestas, e iniciativas de extrativismo sustentável. Do outro, o Rio, que também preserva, mas é um grande emissor de gases de efeito estufa. Um pode compensar o outro - explica Lacerda, explicando que o banco ainda não está lançando linhas de financiamento específicas para esse tipo de projeto. - Por enquanto, não há um novo financiamento para o REDD. Mas há linhas já existentes que podem ser usadas. Além dos créditos de carbono, a ideia é fomentar mercados de compensação com outros ativos ambientais. É a aposta do governo do estado do Rio de Janeiro, segundo o superintendente estadual de Economia, Verde Walter Figueiredo de Simone: - O Rio quer um desenvolvimento mais sustentável, mas está em crescimento. É preciso pensar em redução das emissões, mas também em formas de compensação. Além do carbono, podem entrar na conta outros serviços ambientais das florestas.
O mercado de carbono surgiu na Europa na década passada para que as empresas pudessem negociar suas cotas de emissão de carbono, uma vez que muitas emitem quantidades superiores daquelas permitidas pelos governos. Em função disso podem comprar cotas de outras empresas a fim de permanecerem dentro do limite estabelecido.
O mecanismo não é unanimidade. Entre as críticas está a possibilidade de manter o desmatamento e as emissões em alta, sem mudar padrões industriais. Assim, a responsabilidade de preservar é transferida para outros governos. É o que pode acontecer entre o Rio e estados amazônicos, enquanto a Mata Atlântica continua a minguar.
O Globo, 26/03/2013, Amanhã, p. 9
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