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Ribeirinhos: "parentes" na luta contra as barragens

Amazônia.org
Autor: Bruno Calixto
22 de mai de 2008

Após Herculano Costa e Silva, líder dos ribeirinhos do Médio Xingu, falar no Encontro Xingu Vivo Para Sempre nesta quinta-feira (22), os índios aplaudiram e disseram que agora já poderiam considerar ribeirinhos como "parentes", que é como os indígenas chamam índios de outras tribos.

De fato, a luta dos ribeirinhos é a mesma que a dos índios do Xingu: contra a construção de grandes hidrelétricas, como Belo Monte, ou mesmo das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), que destroem seus modos de vida e lhes tiram o único meio de sobrevivência, o rio.

"Nosso verdadeiro problema é a barragem. Estou nessa luta há seis anos e não é agora que vamos desistir", diz Herculano, que sabe bem quais são os perigos dessa luta. O líder dos ribeirinhos é uma das muitas pessoas ameaçadas de morte no interior do Pará, por ir contra os interesses de fazendeiros, mineradoras e grandes empresas multinacionais.

Herculano já esteve muito perto da morte por conta dessas ameaças. "Quando fui seqüestrado, eles me pegaram às nove da manhã e fiquei refém até uma e meia da madrugada". Enquanto estava em poder dos seqüestradores, sofreu agressões e foi ameaçado de morte caso voltasse a liderar os ribeirinhos.

Não existem policiais ou seguranças que possam proteger o ribeirinho. "Mas eu já me encontrei com o pessoal do Ministério Público e dos Direitos Humanos para ver o que podemos fazer". Questionado se não teria medo de seguir lutando, Herculano foi enfático. "Não tenho medo. Temos que lutar por aquilo que é da gente".

Seringueiros
Outro Herculano, mas nesse caso representando os seringueiros da Reserva Extrativista (Resex) de Alto Riozinho, também é contra a barragem. "Nossa luta é a mesma dos índios, queremos que a barragem não saia", diz o seringueiro Herculano Porto Oliveira.

"Nós vivemos da seringueira, da floresta, nós precisamos do rio vivo, não barrado", explica Oliveira, que relata sobre Tucuruí, cidade do Pará onde foi construída uma usina hidrelétrica com o mesmo nome. "Nós vimos a situação em Tucuruí, que foi muito ruim aos ribeirinhos. Não queremos que isso aconteça novamente".

Apesar das dificuldades, Oliveira se mostra otimista com o encontro. "Acredito que o evento está sendo importante na nossa luta. Não sei se teremos algo definido, mas tenho certeza que será de grande ajuda", conclui.

Encontro Xingu

O Encontro Xingu Vivo Para Sempre reúne, nos dias 19 a 23, povos indígenas, ribeirinhos, agricultores, movimentos sociais e ambientalistas na defesa do rio Xingu, onde está prevista a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo eles, a hidrelétrica destruirá os rios e as formas de sobrevivência dos índios, ribeirinhos e pequenos agricultores.

Na terça-feira (20), após uma exposição do representante da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, os índios se revoltaram e avançaram em Rezende, que saiu ferido. Segundo os índios, estava prevista uma dança de guerra, mas alguns índios acabaram perdendo o controle após a fala agressiva de Rezende. O representante da Eletrobrás sofreu seis pontos no braço, mas passa bem.

Hoje (22), após a exposição dos ribeirinhos e do debate dos índios com o procurador da República no Pará, teve o lançamento do livro "A batalha do Riozinho do Anfrísio", de André Costa Nunes. O livro fala sobre as lutas dos ribeirinhos e seringueiros do interior do Pará.

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