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Ribeirinhos do Rio Uatumã participam de oficina literária da FAS

D24AM - http://d24am.com
Autor: Redação D24am
14 de mar de 2019

Ribeirinhos do Rio Uatumã participam de oficina literária da FAS
14 de março de 2019 às 16:53

Com informações da assessoria / redacao@diarioam.com.br

Estudantes da comunidade São Francisco, em Itapiranga, foram desafiados a coletar histórias de pessoas mais velhas por meio da iniciativa que incentiva a leitura

Manaus - O incentivo à leitura e o desenvolvimento de crianças e jovens da comunidade São Francisco, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, ganhou uma página escrita a várias mãos esta semana. Jovens ribeirinhos de 11 a 21 anos que vivem na região, participaram do primeiro módulo do projeto 'Incenturita', iniciativa que compõe o Programa de Educação, Saúde e Cidadania da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). A ação tem o objetivo de promover a leitura e melhorar a comunicação entre os estudantes.

O projeto existe desde 2017 e leva atividades educativas a seis Núcleos de Conservação e Sustentabilidade (NCS) espalhados pelas comunidades Punã, Abelha, Boa Frente, Tumbira e Três Unidos. Neste mês, foi a vez do município de Itapiranga (a 227 quilômetros a leste de Manaus) receber os profissionais, em iniciativa compartilhada com o Programa de Formação Integral de Crianças e Adolescentes Ribeirinhas da Amazônia (Dicara), que leva acesso a direitos para jovens moradores de unidades de conservação.

Em duas manhãs, os jovens participaram do projeto cumprindo o primeiro módulo, chamado de 'Histórias Que Se Aproximam'. Nessa fase, os objetivos pedagógicos se dividem em fortalecer o contato entre os participantes e despertar sentimentos de confiança, afinidade, respeito e responsabilidade. Além disso, os estudantes são estimulados a criarem narrativas e registros para o Banco de Histórias de Vida, outro recurso educacional da iniciativa da FAS.

Na segunda parte do módulo, os jovens tiveram como desafio conversar com pessoas mais velhas da comunidade e, em seguida, coletar histórias. "É o início do trabalho com a turma. Nesse primeiro contato os objetivos alcançados foram o maior entrosamento entre os jovens, uma introdução ao teatro e as primeiras reflexões sobre a expressão do corpo, da face, da voz, do sentir e do pensar. Os jovens também contaram histórias (vividas ou imaginadas) de suas vida que já integram o Banco de Histórias de Vida do projeto. Todas as criações artísticas são baseadas nestas histórias", explicou o coordenador do projeto, Emerson Pontes.

Igualdade

Ao todo, mais de 180 jovens ribeirinhos de seis comunidades devem passar por cinco módulos no projeto. A abordagem das tarefas nasce a partir de áreas centrais como Literatura, Artes Visuais, Artes Cênicas e Música e Teatro, onde em cada uma delas o estudante participa dos exercícios para depois praticar o que aprendeu nos deveres de casa.

"As comunidades ribeirinhas tem um histórico de desafios e esquecimento, e é por isso que a FAS busca tratá-las como prioridade dentro de sua estratégia de educação. Nosso projeto caminha nesse sentido, de fazer as crianças ribeirinhas terem a mesma oportunidade que as da cidade", destaca Ademar Cruz, coordenador do projeto Dicara.

Em 2018, o projeto conseguiu entregar materiais didáticos e livros de contos de autores consagrados do Amazonas para os jovens. Um diagnóstico de leitura - também aplicado por meio do 'Incenturita' - mostrou que há grande interesse dos ribeirinhos pela leitura, porém a maioria encontra dificuldades. Os números ainda mostraram que 75% deles gostam de escrever e apenas 48% de falar em público.

Sendo assim, o projeto possui grande importância ao estimular a interação entre os jovens nas comunidades, visto que ainda é latente a limitada reflexão e prática artística na vivência escolar, além das dificuldades das relações sociais com pessoas de fora dessas regiões.

"Incentivar a leitura e escrita por meio da Arte é algo muito promissor. Estamos construindo hoje um modelo de Arte-Educação para a juventude ribeirinha da Amazônia. O 'Incenturita' é um importante trabalho educativo, pois soma à melhoria das competências leitura-escrita-oratória e estimula o pensamento crítico, o desempenho escolar, o desenvolvimento pessoal e relacionamento social entre os alunos, ao mesmo tempo que os aproxima das Artes, valorizando a cultura ribeirinha", acrescentou Emerson.

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