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Revista diz que Jucá usou lobista como laranja

O Globo, O País, p. 11
22 de Mai de 2011

Revista diz que Jucá usou lobista como laranja
Em entrevista a 'Época', Geraldo Magela afirma que senador gastou R$15 milhões numa eleição e só declarou 1%

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, utilizou durante anos os serviços do lobista Geraldo Magela Fernandes em negócios irregulares que iam do uso do nome de Magela como laranja na propriedade de uma empresa de TV à montagem de caixa dois para suas campanhas eleitorais ao Senado, além de negócios suspeitos com doleiros que forneciam dinheiro vivo para que Jucá tocasse seus negócios. As denúncias estão na edição desta semana da revista "Época", para a qual Geraldo Magela deu entrevista.
Ele afirma que, para não deixar pistas sobre suas irregularidades, o senador paga tudo o que pode em espécie.
- O Jucá só mexe com dinheiro vivo - disse Magela. - Ele tirava o dinheiro da gaveta e me entregava.
Com base no depoimento de Magela, que convive com Jucá há 30 anos, a revista recolheu evidências da participação do laranja em negócios nos quais substitui o nome do líder do governo. Para administrar uma TV em Roraima, Jucá fazia constantes pagamentos em espécie a Magela. O dinheiro era repassado no gabinete do Senado ou em sua fazendo em Boa Vista (RR).
De acordo com a reportagem, Jucá gastou cerca de R$15 milhões em dinheiro na campanha ao Senado em 2002, "quase tudo caixa dois".
- Eu era o responsável pela contabilidade da campanha e declarei só 1% das despesas - disse Magela à revista.
Oposição vai cobrar explicações de Jucá
Para movimentar tanto dinheiro, conforme a denúncia, o senador recorria a serviços de doleiros. Pedro Reis, por exemplo, o mais conhecido doleiro de Roraima, chegou a ser sócio dos filhos de Jucá e seu suplente no Senado.
A oposição considera graves as denúncias de negócios suspeitos e promete cobrar explicações do parlamentar. Jucá nega as acusações e promete responder amanhã à tarde à denúncia do lobista. Disse que vai processar Magela, porque as denúncias feitas contra ele são mentirosas.
- Estou tranquilo, mas é absurdo. Vou juntar todo o material e apresentar. Repudio a matéria, é mentirosa, é um quadro fantasioso. Vou processar o Magela - reagiu Jucá.
O líder refutou, por exemplo, a denúncia de que a Diagonal Urbana, empresa de seu irmão Álvaro Jucá há mais de 20 anos, teria sido beneficiada com recursos da Lei Rouanet. O senador acusou Magela de ter feito a denúncia por estar insatisfeito com a venda de uma produtora em Roraima para Rodrigo Jucá, seu filho. Segundo Jucá, seu filho comprou a empresa e assumiu as dívidas, conforme o combinado. Mais tarde, Magela quis mais dinheiro. Segundo ele, o lobista mudou-se para o Maranhão e acabou sendo preso pela Polícia Federal, na Operação Navalha.
- O camarada fez um negócio com o meu filho, depois não concordou e, no último ano, começou a a enviar e-mails me ameaçando.
Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Álvaro Dias (PSDB-PR) pediram que o líder governista se explique e prometeram levar adiante as denúncias. Demóstenes disse que será necessário aguardar as explicações do parlamentar, mas pretende se reunir amanhã com os senadores Álvaro Dias, Agripino Maia (DEM-RN) e Itamar Franco (PPS-MG), além das lideranças do PSOL para decidir o melhor caminho a tomar.

O Globo, 22/05/2011, O País, p. 11

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