A Crítica-Manaus-AM
Autor: [ Aruana Brianezi ]
19 de Fev de 2003
Representantes de povos indígenas que vivem em áreas de fronteira estiveram ontem no Comando Militar da Amazônia (CMA) para discutir as bases para uma nova relação com as forças armadas. Munidos de um abaixo-assinado em que expõem suas propostas (ver quadro), os índios ouviram do General de brigada Hedel Fayad que o exército já tomou providências práticas para minimizar os frequentes conflitos entre militares e povos indígenas.
Os diversos segmentos envolvidos na discussão vão formar um grupo de trabalho para definir as regras de convivência, que vão valer em todo o território nacional. "Todos os interlocutores - militares, povos indígenas, Funai, Secretaria de Estado de Direitos Humanos - estão falando a mesma linguagem. Precisamos encontrar uma forma de organizar esses diálogos na busca texto de convivência", afirmou Maria Aparecida Gugel, membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação.
O representante da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Perly Cipriano, afirmou que o processo de estabelecimento de uma nova relação entre índios e militares será demorado. Cipriano destacou que o Governo Lula acompanha com atenção o que ele chamou de "diálogo de Manaus". "Este é o é diálogo do Brasil com ele mesmo. A força do nosso País está na convivência da diversidade", disse.
As três medidas adotadas pelas forças armadas dizem respeito à formação dos efetivos que têm contato com os índios. Fayad explicou que, depois do primeiro encontro com lideranças indígenas ocorrido em dezembro, o exército decidiu incluir novos temas no treinamento dos oficiais que vão atuar em comunidades indígenas, estabelecer ordenações expressas de condutas (uma espécie de cartilha para a relação com os índios) e priorizar o recrutamento de pessoas da região.
Os militares presentes ao encontro de ontem fizeram questão de deixar claro que várias das questões colocadas pelos povos indígenas são de alçada mais ampla e que fogem da possibilidade de solução deles. Se comprometeram, no entanto, a estudar as propostas e dar, em breve, retorno do que podem fazer.
O presidente da Funai, Eduardo Almeida, considerou a reunião positiva. "O documento que os índios apresentaram foi muito claro. Por sua vez, os militares deram uma abertura e anunciaram medidas pragmáticas", resumiu ele.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.