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Reunião da ONU pode consertar um erro ambiental

Valor Econômico, Internacional, p. A13
Autor: CHIARETTI, Daniela
10 de Out de 2016

Reunião da ONU pode consertar um erro ambiental

Daniela Chiaretti

Uma reunião internacional que acontece esta semana, em Kigali, capital de Ruanda, tentará corrigir um erro ambiental cometido no passado pelas Nações Unidas. O resultado pode significar uma medida importante e eficiente para enfrentar a mudança do clima.
Trata-se de aprovar uma emenda ao Protocolo de Montreal para reduzir o consumo dos hidrofluorcarbonos, gases conhecidos como HFCs. Usados em aparelhos de refrigeração e ar condicionado, são poderosos gases do efeito estufa. Alguns estudos indicam que impedir o uso de gases HFCs e trocá-los por outros, que causam menos danos, pode evitar 0,5oC de aquecimento da temperatura no fim do século.
"Este é um problema causado, de certa forma, pelo Protocolo de Montreal", diz Clare Perry, líder da campanha climática da Environmental Investigation Agency, sediada em Londres e Washington.
O Protocolo de Montreal é um dos tratados internacionais mais bem-sucedidos da ONU. Entrou em vigor em 1989 para eliminar o uso de gases que destroem a camada de ozônio na atmosfera. A camada protege o planeta ao absorver quase toda a radiação ultravioleta emitida pelo Sol. Essa radiação provoca câncer de pele.
Quando o protocolo entrou em vigor, os primeiros gases banidos foram os CFCs, substituídos pelos HCFCs, que também têm data de fim de uso. Estes têm que ser substituídos pelos HFCs, que não causam danos à camada de ozônio.
Causam, contudo, outro problema: são um poderoso gás-estufa. "São 4.000 vezes mais perigosos que o CO2 ", diz Clare Perry. Os HFCs são produzidos principalmente pela China. O Brasil é importador.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil importou 16.226 toneladas de HFCs em 2014 dos EUA, China, Índia, México e Alemanha. Em 2015 o volume caiu para 14.515 toneladas. A aplicação se dá na refrigeração, ar condicionado e produção de espumas.
"Os HFCs entraram na solução do problema da camada de ozônio, mas têm esse efeito colateral, aumentam o aquecimento global", resume a física Suely Carvalho, ex-diretora da Unidade do Protocolo de Montreal no Programa das Nações Unidas (Pnud) em Nova York. "Seu uso está aumentando em passo acelerado."
O que está em debate em Kigali é um cronograma para reduzir o consumo desses gases. Há quatro propostas na mesa, com datas diferentes para os países desenvolvidos e os em desenvolvimento.
Há propostas ambiciosas, como a da União Europeia e países africanos, pedindo que se tire a média de consumo de 2017-2019 e se congele o uso de HFCs em 2021. O Brasil quer a média do consumo entre 2021-2023 e 2025 para o congelamento. A China quer os anos 2019-2025 como média e joga para 2025-2026 o congelamento. A Índia quer adiar ainda mais - propõe o congelamento em 2035.
"O impacto no clima aumenta muito dependendo de quando for o início das ações", diz Suely Carvalho, especialista no tema. "Queremos que o Brasil se aproxime da proposta mais ambiciosa."
"Todos querem a emenda", diz Everton Lucero, secretário de Mudanças Climáticas do MMA. "O Brasil trabalha para que se logre emenda ambiciosa em Kigali."
A substituição destes gases causa uma transformação tecnológica cara. Os países em desenvolvimento têm apoio de um fundo multilateral com US$ 507,5 milhões para o triênio 2015-2017. Os países ricos dizem estar dispostos a colocar mais recursos se a meta de reduzir HFCs for ambiciosa.

Valor Econômico, 10/10/2016, Internacional, p. A13

http://www.valor.com.br/internacional/4739597/reuniao-da-onu-pode-conse…

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