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Resistência a metas globais atrasam acordo

O Globo, Ciência, p. 33
13 de Nov de 2013

Resistência a metas globais atrasam acordo
Países em desenvolvimento recusam limite para suas emissões de gases-estufa

RENATO GRANDELLE
renato.grandelle@oglobo.com.br

Um encontro que nasce errado, parte de um raciocínio antigo e é encerrado sem conclusões. Este quadro se encaixa em todos os painéis dedicados ao debate sobre as mudanças climáticas realizados nos últimos anos. Para especialistas, a fórmula pode se repetir nesta Convenção do Clima (COP-19).
Os países em desenvolvimento chegaram à Polônia insistindo em uma tese nascida há mais de 15 anos: "Responsabilidades Comuns, Porém Diferenciadas" no combate às mudanças climáticas. Segundo ela, só nações desenvolvidas devem submeter-se a metas para redução das emissões de CO2.
- É um raciocínio muito simplório - ataca Bernardo Baeta Neves Strassburg, diretor-executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio. - Desde que este argumento passou a ser usado, Brasil, Índia e China tornaram-se potências mundiais e, por isso, deveriam ter metas obrigatórias para diminuir suas emissões.
Brasil em posição ambígua
Entre os países emergentes, o Brasil seria o mais disposto a aceitar um acordo que limite a emissão de CO2, mas o governo estaria esperando a decisão da China, maior emissora mundial de gases-estufa, que negocia metas mais modestas.
Para Osvaldo Stella, diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o Brasil perdeu força nas conferências internacionais.
- Temos uma posição ambígua - critica. - Estamos entre as maiores economias do mundo, mas nossos problemas estruturais são idênticos aos dos países pobres. Essa contradição dificulta nossa habilidade em negociar.
Strassburg e Stella criticam o modelo do painel da COP, em que as decisões devem ser aceitas por unanimidade.
- É claro que o debate precisa ser democrático, mas questões tão importantes para a Humanidade não podem esbarrar no bloqueio de um determinado tema - ressalta Stella.
Ambos concordam que esta conferência, assim como a COP-20 - que será realizada no ano que vem, no Peru - são fundamentais para que, em 2015, os governantes enfim assinem um acordo que limite as emissões de CO2.
No início da semana, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou algumas adaptações em seu último relatório, concluído em setembro. As mudanças, segundo os cientistas, não são significativas, e foram descobertas após a revisão do documento.

O Globo, 13/11/2013, Ciência, p. 33

http://oglobo.globo.com/ciencia/mudancas-climaticas-impulsionam-tragedi…

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