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Reservatórios atingem limite mínimo de segurança

OESP, Economia, p. B8
18 de Jan de 2008

Reservatórios atingem limite mínimo de segurança
Situação é no Sudeste e Centro-Oeste, onde nível se mantém em 44,8%

Nicola Pamplona e Kelly Lima

O nível dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste atingiu, anteontem, o limite de segurança estabelecido pela curva de aversão ao risco (CAR). As barragens mantiveram, pelo segundo dia consecutivo, 44,8% de sua capacidade de armazenamento de energia, mas a CAR sobe diariamente nesta época do ano, o que provocou o encontro das duas curvas. No início do ano, a diferença entre o nível real dos reservatórios e o limite mínimo de segurança era de 9,5 pontos porcentuais.

A curva de aversão ao risco foi criada após o racionamento de 2001, com o objetivo de forçar o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a poupar água para o período seco (abril a novembro). O governo já vem anunciando medidas para evitar uma queda ainda maior do nível dos reservatórios, como o acionamento de térmicas a gás natural e óleo combustível. Essas usinas, porém, vêm gerando menos do que o previsto, na maior parte das vezes por problemas de abastecimento de combustível.

Segundo o informativo diário da operação do ONS, as térmicas convencionais - movidas a carvão, óleo ou gás - responderam pela inserção de 4.173 megawatts (MW), cerca de 700 MW menos do que o programado pelo operador do sistema. As térmicas Mário Lago e Barbosa Lima Sobrinho nem sequer entraram em operação, por falta de gás natural. Em compensação, a Petrobrás vem gerando mais do que o previsto no Nordeste, com as usinas Termopernambuco e Rômulo Almeida, porque há volumes de gás excedentes na região.

CONSUMO MAIOR

O consumo de energia no Brasil cresceu 5,4% em 2007, segundo dados divulgados ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Foi o maior crescimento no consumo nos últimos 8 anos. Em 2006, o aumento havia sido de 3,5%.

Apesar disso, Guerreiro disse que o porcentual não surpreendeu e ficou até um pouco abaixo do previsto, diante do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com os dados da EPE, o maior crescimento foi verificado no segmento comercial (7%), seguido de residencial (6%) e industrial (5%).

Por regiões, o maior aumento, de 7%, ocorreu no Centro-Oeste. O Sudeste teve acréscimo de 5%; Nordeste, 5,8%; Norte, 5,4%; e Sul, 5,1%. Para 2008, segundo ele, a previsão é de um aumento de 5,2% - 6% no setor residencial, 7,5% no comercial e 4% no industrial.

Um dos dados surpreendentes no levantamento da EPE, segundo o diretor, foi o acréscimo de dois milhões de novos consumidores ao sistema. Desse total, 500 mil fazem parte do Programa Luz para Todos, que está eletrificando as zonas rurais. "O restante desse acréscimo demonstra uma melhora na qualidade de vida da população", disse, lembrando que a "surpresa foi boa", mas vai fazer com que a EPE reveja suas projeções para os próximos anos.

Indagado sobre as perspectivas da EPE diante do risco de racionamento, Guerreiro disse que "não há esta perspectiva".

O professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos em Energia Elétrica (Gesel) da UFRJ foi categórico ao afirmar que o risco de racionamento de energia para este ano "está completamente descartado", desde que a Petrobrás cumpra seu cronograma de instalar a planta de GNL de Pecém (CE) em maio e antecipe a do Rio de abril de 2009 para o fim de 2008. "É claro que tudo vai depender do volume de chuvas que teremos até o dia 15 de fevereiro e do volume pluviométrico em Minas, que é onde estão os principais reservatórios", disse.

Segundo o professor, para garantir a geração dos 3,6 mil MW que tem acordado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Petrobrás teria de fornecer às térmicas 19,5 milhões de metros cúbicos por dia neste semestre. Porém, deixou reservado para essa finalidade apenas 5 milhões de metros cúbicos por dia.

OESP, 18/01/2008, Economia, p. B8

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