O Globo, Rio, p. 20
20 de Set de 2011
Reserva terá restaurante e centro de convenções
Empresário português consegue licença para construir empreedimento em cobiçado trecho da APA de Marapendi
Luiz Ernesto Magalhães
(luiz.magalhaes@oglobo.com.br
O movimento de retroescavadeiras e de operários montando tapumes alimenta a polêmica num trecho ainda pouco edificado da orla marítima do Rio. Após cinco anos, atendendo a exigências ambientais e urbanísticas do governo estadual e da prefeitura, o empresário português Manoel Veiga Tiago, de 82 anos, faz planos para o terreno que possui às margens da lagoa, em plena Área de Preservação Ambiental (APA) do Marapendi.
- Quero concluir as obras em um ano. Aqui teremos um bar, restaurante e espaço para um pequeno centro de convenções - disse Manoel.
APA completou 20 anos de criação em julho deste ano
A área fica no trecho inicial da Praia da Reserva, voltada para o Recreio - um trecho cobiçado por construtoras, conforme mostrou reportagem recente do GLOBO . A APA de Marapendi, que criou regras que restringem mas não impedem construções em parte da área, completou 20 anos em julho.
O empresário não é o primeiro a construir no trecho da APA de Marapendi voltado para a Praia da Reserva, mas será o pioneiro quando se trata de empreendimento comercial. No lado da Barra existe um clube de uso exclusivo dos moradores de um condomínio. A rede Hyatt também planeja construir um hotel próximo ao Alfabarra, mas a licença ainda não saiu.
O presidente da Associação de Moradores do Recreio (Amore), Dair José Zonatelli, é contrário ao projeto:
- A Reserva de Marapendi é um patrimônio da cidade que deveria ser preservado. Atividades comerciais só vão deixar o trânsito do bairro mais caótico. E, pior, numa área onde nem existe uma rede de coleta de esgoto.
O ambientalista Mário Moscatelli tem outra avaliação:
- Boa parte da Lagoa de Marapendi está tomada por esgoto. Empreendimentos nas áreas onde já é permitido construir podem ajudar a mudar esse quadro. O importante naquela área é manter inalterada a legislação que impede a construção em certos trechos que estão mais preservados.
Área construída equivale a 20% de todo o terreno
O empresário, por sua vez, argumenta que seguiu todas as exigências legais. O projeto prevê a construção de três prédios de um único pavimento. A área construída chega a 2.152 metros quadrados - cerca de 20% do terreno:
- Durante dez anos, paguei o IPTU sem aproveitar essa área. Além disso, nem sei se o negócio vai dar certo. Se você observar, quase todos os bares e restaurantes que existiam na orla da Barra e do Recreio fecharam nos últimos anos.
Até a semana passada, enquanto máquinas e operários uniformizados não haviam chegado, os preparativos de Manoel para construir no terreno passaram despercebidos. Em dois meses, funcionários retiraram e replantaram 1.500 metros quadrados de manguezais. Por exigência da Secretaria municipal de Meio Ambiente, Manuel terá ainda que plantar mais 11 mil metros quadrados de mudas, em locais que ainda serão indicados pela prefeitura.
Com a movimentação dos operários, os órgãos públicos passaram a receber denúncias de supostas irregularidades. Desde sexta-feira, diversos órgãos da prefeitura inspecionaram três vezes o local. Mas, segundo a Secretaria de Urbanismo, a licença para construir vale até março de 2012.
O Globo, 20/09/2011, Rio, p. 20
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.