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Reserva sofre com a interferência do homem

Jornal do Tocantins-Palmas-TO
Autor: Isabel Vitoriano
09 de dez de 2001

A Ilha do Bananal, que fica na divisa dos Estados do Tocantins, Goiás e Mato Grosso, é a maior ilha fluvial do mundo, com 1.358.499 hectares. Nesta área estão o Parque Indígena do Araguaia e o Parque Nacional do Araguaia. Segundo a Funai, a ilha ainda é ocupada por 157 retireiros e cerca de 3 mil índios das tribos Javaé, Karajá, Tapirapé e Avá-canoeiros.

A oferta de pastagens naturais e lagos atraiu o homem branco que hoje cria clandestinamente na reserva indígena cerca de 45 mil animais. Segundo o Ibama, a presença do gado é uma ameaça ao ecossistema. Para fazer os pastos, os vaqueiros cometem crimes ambientais como desmatamento de área de preservação permanente, queimadas durante a estiagem e ainda praticam a caça e a pesca predatórias. "O gado que entra na reserva pode trazer doenças para os animais silvestres", explica o fiscal Antonio Cardoso da Silva.

Mas não é só a facilidade em criar gado que despertou a cobiça do homem branco. Espécies em extinção como orquídeas, papagaios, tartarugas e a pirosca - o bacalhau brasileiro -, são retiradas da ilha através de barcos, balsa e pistas clandestinas de avião. O tráfico de espécies silvestres é o terceiro maior do mundo e movimenta por ano 20 bilhões de dólares. "O Tocantins está na rota internacional deste tipo de contrabando", afirma Silva.

Estrutura
Para fiscalizar a maior ilha fluvial do mundo, a Fundação Nacional do Índio dispões de 24 fiscais. "Quando precisa tem que chamar reforço de Goiânia ou Imperatriz, no Maranhão. Proteger os animais e as espécies vegetais dessa região é uma tarefa muito difícil", reconhece Luciano Barreto Alves, chefe do Serviço de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente da Funai. (I.V.)

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