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Autor: Denise Morato
23 de Mai de 2011
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Morro Sapucaia, na zona rural, está prestes a ser local para a prática de Ecoturismo (turismo ecológico). Segundo a proprietária e administradora da reserva, Ana Maria Juliano, a iniciativa deve ser implantada no próximo ano. "Estou só aguardando a liberação do Instituto Chico Mendes, mas acredito que em 2012 esse projeto entre em vigor." Ana explica que atualmente o local recebe visitantes, porém é necessário investimento na infraestrutura.
A administradora diz que a ideia é reformar o sobrado, que funciona como sede da reserva e fica próximo ao morro, na Avenida Theodomiro Porto da Fonseca, e nesse local instalar um museu de ciências naturais, além de ter um espaço para as famílias com banheiros e local para lanches. Também deverá ser construída uma portaria no sopé do morro com guardas, que farão a identificação e segurança do local para as visitas guiadas na reserva, estimulando assim a conscientização ecológica. "Para isso também faremos o fechamento da Estrada Cristina Juliano, dando mais segurança às famílias e às espécies que vivem na reserva", informa a administradora, que ressalta que a estrada é de propriedade particular, fica em frente ao Morro de Sapucaia e nunca foi desapropriada.
O que é RPPN
- Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma das categorias de unidades de conservação federal destinada a preservar fauna, flora, além de proporcionar visitação, lazer, pesquisa e educação ambiental. Embora seja reserva florestal, trata-se de propriedade particular administrada e conservada pelos proprietários e pelos mesmos conservada e fiscalizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) - órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Atualmente há 30 RPPNs no Rio Grande do Sul.
Mais de 90 hectares de área preservada
A administradora da Fazenda Morro Sapucaia, Ana Maria Juliano, destaca que a reserva foi criada com o objetivo de conservar e recuperar a biodiversidade de ecossistemas em seu estado natural, protegendo e promovendo o patrimônio cultural da área. A Fazenda Morro de Sapucaia tem uma área total de 400 hectares e destes, 90,25 hectares pertencem à reserva. Ana explica que tem a responsabilidade de manter a área e o governo federal a auxilia na fiscalização e no fornecimento de verbas para o desenvolvimento de atividades ligadas à conservação do meio ambiente. "O Morro Sapucaia foi transformado em reserva florestal em 7 de agosto de 2002 e trabalha para preservar o bioma de Mata Atlântica de seu entorno, incluindo a fauna que nele habita."
Conhecer para respeitar
Mesmo sem a implantação oficial do projeto, a reserva sapucaiense já recebe visitantes. A maioria são estudantes que participam do projeto Conhecer para Respeitar desenvolvido pela reserva e que é dirigido para as escolas, em especial para alunos das terceiras e quartas séries. Com visitas orientadas na reserva, os participantes conhecem o ecossistema da Mata Atlântica e o Morro Sapucaia, desde sua formação, história até suas principais espécies da fauna e flora. "O projeto promove a educação ambiental de escolares, que serão multiplicadores em suas comunidades."
Um rico Habitat
A vegetação da reserva do Morro Sapucaia caracteriza-se pelo encontro de influências da Mata Atlântica e Campos Sulinos. O local abriga 319 espécies vegetais pertencentes a 89 famílias, entre elas, araticum, butiazeiro, barba-de-pau, figueira-vermífuga, figueira-da-folha-miúda, pintagueiras, café do mato, ameixeiras, entre outras. Na parte de animais, graxains, preás, mão pelada, e tatus, além de répteis, anfíbios e pássaros como pica-pau-dourado, dançador, anambé-branco-de-rabo-preto, vira-folha, gavião, urubus, sabiá-ferreiro, canarinho-da-terra, entre outros. O morro também possibilita vista panorâmica da região metropolitana. Outro destaque do local é a imensa quantidade de ervas medicinais e nascentes.
A história
- A Fazenda Sapucaia passou por várias gerações até que em 1969, a viúva do coronel Theodomiro Porto da Fonseca, Alzira Fonseca, vendeu a área a Arno Juliano, que inicia trabalho de proteção ambiental e conservação do sítio histórico, dando forma ao sonho do padre Balduino Rambo, que pedia a preservação do local como museu vivo de fauna, flora e geologia. Foi dele, em 1935, o primeiro levantamento de flora e fauna publicado no livro A Fisionomia do Rio Grande do Sul. Em 11 de setembro daquele ano, descobriu uma espécie endêmica, a orquídea rupestre Codonorchis canisioi Mansfeld. Mas foi só em 2000 que a administradora Ana Juliano, em reuniões do Fórum da sub-bacia do Arroio Sapucaia, conseguiu criar a RPPN, que se consolidou em 2002.
Para entender melhor
- O que é Ecoturismo?
É um segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista.
- Quem pode ter uma RPPN?
Pessoas físicas, empresas de todo os portes assim como entidades civis e religiosas podem requerer o reconhecimento de suas propriedades como RPPN. Para ser considerada reserva, as áreas devem apresentar importantes características naturais, possuir paisagens de grande beleza ou reunir condições que justifiquem ações de recuperação ambiental capazes de promover a conservação e ecossistemas ameaçados.
Faça sua parte
As RPPNs são patrimônios a serem conservados, portanto a proteção é de responsabilidade de todos. A palavra chave é respeito por isso:
Nada de caçar, pescar e molestar animais silvestres. Isto é crime previsto em lei;
Todo o lixo deve ser coletado e disposto em local apropriado;
É proibido fazer fogo, churrasco, pôr fogo na mata ou queimar papéis ou outros tipos de materiais inflamáveis;
Nada de cortar vegetação, coletar mudas, retirar chás e abrir trilhas. Isso é crime previsto em lei;
É proibido portar facas, facões ou qualquer tipo de arma no interior da reserva.
Visitas podem ser agendadas pelo telefone 9709-1555
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