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Representantes do Acre aprovam exploração de petróleo

A Tribuna
05 de Abr de 2007

Representantes do Acre aprovam exploração de petróleo
Comitiva liderada pelo senador Tião Viana visita província petrolífera de Urucu que rende R$ 1 bilhão por ano para o Amazonas

Romerito Aquino; Fotos: Romerito Aquino e Petrobrás

Passavam das oito horas da manhã da última segunda-feira quando, atentos, os passageiros do vôo da Total Linhas Aéreas começaram a avistar do alto o pequeno rasgo na imensa floresta do Amazonas que, desde o início da década atual, começou a mudar a história do maior estado florestal brasileiro.
Os passageiros estavam sobrevoando, finalmente, a Província Petrolífera de Urucu, situada no município de Coari, onde a Petrobrás, uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, produz há alguns anos muito gás e petróleo, combustíveis que são responsáveis hoje pelo repasse anual de mais de R$ 1 bilhão para os cofres públicos amazonenses em pagamento de royalties e de impostos. Trata-se de uma cifra significativa, correspondente a 17,5% da arrecadação anual do estado que detêm hoje, com a Zona Franca de Manaus, um dos maiores parques industriais do país.
Lá embaixo, estava a primeira e grande província petrolífera da Amazônia. E, em cima, ansiosos e muito atentos, os membros da comitiva acreana, que foi a Urucu ver de perto o que é extrair gás e petróleo no meio da floresta. Os acreanos eram liderados pelo senador Tião Viana, que queria conhecer e mostrar aos seus conterrâneos a atividade econômica que poderá ser implementada no Acre a partir do próximo ano, caso os estudos de prospecção petrolífera, encomendados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a pedido do senador, apresentem resultados positivos para a produção de gás e petróleo no estado.
A ansiedade naquele sobrevôo em Urucu era muita. E contaminava a todos desde o dia anterior, quando o senador Tião Viana, o vice-governador César Messias e o presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães, acompanhados de deputados federais, deputados estaduais, vereadores e representantes do governo acreano, da indústria, dos trabalhadores rurais, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Centro de Trabalhadores da Amazônia (CTA), e da ong SOS Amazônia, além de jornalistas, haviam embarcados, em Rio Branco, num vôo da Rico Linhas Aéreas rumo a Manaus.
Acompanhada de representantes da Petrobrás, a comitiva acreana logo desembarcou no pequeno e moderno aeroporto construído pela Petrobrás em Urucu para garantir o suporte aéreo dos mais de dois mil trabalhadores que a cada 14 dias se revezam para produzir diariamente, numa área desmatada de menos de 100 hectares, o total de 10 milhões de metros cúbicos de gás natural e de 60 mil barris de petróleo. São números que, resultantes de um investimento de US$ 7,6 bilhões feitos pela Petrobrás até agora na região, já fazem hoje do Amazonas o segundo maior produtor nacional em barris de óleo equivalentes.
Do aeroporto, todos embarcaram num ônibus rumo à base de apoio da província, onde funcionam, a 2,5 quilômetros de distância, os dormitórios, o restaurante, a sede administrativa, o auditório e outras dependências da Petrobrás. Ali, após um rápido lanche, a comitiva seguiu para o auditório da base, onde os técnicos da Petrobrás exibiram um vídeo mostrando as atividades da província petrolífera, seguido de uma apresentação, no formato power-point, sobre o que a produção dos 60 postos explorados atualmente no meio da selva representa no contexto regional e nacional de geração de energia a partir dos derivados do petróleo.
Na base, os técnicos da Petrobrás também mostraram o que a empresa faz para retirar petróleo e gás da selva amazônica com o mínimo de impacto ao meio ambiente florestal e com extremados cuidados ambientais, que são compartilhados e acompanhados no local por representantes de instituições sérias e respeitadas como o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), o Museu Paraense Emílio Goeldi, além das universidades federais do Amazonas e do Pará. Os técnicos deixaram claro, ainda, para a comitiva que a Petrobrás nunca "praticou, ousou e sequer pensou" em explorar derivados do petróleo em terras indígenas e em unidades de conservação, pois a legislação ambiental brasileira não permite que tal atividade ocorra nessas áreas protegidas por força da Constituição do país.
SOS Amazônia destaca preocupação da Petrobrás com a sustentabilidade
A comitiva seguiu, depois, para conhecer outra grande central, desta vez a de tratamento de lixo orgânico e inorgânico produzido em Urucu, que é todo tratado na região. O lixo orgânico, como restos de comida e papel, viram adubo para o plantio das mudas. E o inorgânico, como latas, é prensado, embalado e levado em barcaças para a venda em Manaus. O dinheiro da venda de todo o lixo inorgânico reaproveitável da província a Petrobrás doa para instituições de auxílio social na capital amazonense.
Os acreanos se dirigiram em seguida para conhecer a Escola Esperança, que a Petrobrás montou em Urucu para alfabetizar e dar educação de ensino fundamental e de médio para todos os seus trabalhadores. A maioria dos mais de dois mil trabalhadores já foi alfabetizada e está cursando o primeiro ou segundo grau do ensino fundamental.
Todos os membros da comitiva acreana deixaram o complexo de Urucu impressionados com os cuidados e a sustentabilidade social e ambiental que a Petrobrás dedica à produção de gás e petróleo em plena floresta amazônica, com impacto que se restringe hoje praticamente aos 100 hectares de floresta desmatados para instalar o complexo petrolífero. Trata-se de uma área bem menor do que a que costuma desmatar por ano, por exemplo, a esmagadora maioria das fazendas de gado na Amazônia.
O representante da SOS Amazônia, Miguel Scarcello, por exemplo, disse em entrevista, ao final da viagem, que o que lhe "impressionou muito" foi a eficiência e a forma de trabalhar da Petrobrás. "Isso me deixou surpreendido porque não é um padrão que a gente encontra em outros locais, em outras empresas. Isso demonstra que, apesar do que diz o pessoal da Petrobrás de haver risco de contaminação do meio ambiente durante 24 horas, esse padrão de controle ambiental deixa a gente até um pouco mais tranqüilo no caso de haver (no Acre) essa possibilidade de exploração petrolífera".
Segundo Scarcello, "nesse aspecto (ambiental) a gente pode considerar que é um ponto positivo e muito favorável". "Eu pessoalmente sou muito resistente à matriz energética (do petróleo), pois acho que deveríamos apostar em outra (matriz). Mas acho que, como o senador (Tião) falou, como não tem outra, é tentar explorar essa de uma maneira mais segura possível e a que traga mais benefícios". (R.A.)
Cuidados ambientais extremados da companhia
Os cuidados ambientais dedicados pela Petrobrás com a selva são tão extremos que a companhia chega a perder apenas 40 litros de óleo por ano numa produção de 60 mil barris diários, o que representa uma perda irrisória em relação a uma produção anual de 3,4 bilhões de litros por ano. Isto significa que a empresa perde por ano menos óleo do que a quantidade desperdiçada em um mês, por exemplo, por um posto de lavagem de veículos. Além disso, todo o complexo de produção de gás e petróleo de Urucu é monitorado 24 horas por computadores e pode ser desligado automaticamente em caso de qualquer tipo de vazamento.
Dadas as explicações, os acreanos seguiram, então, para visitar três postos de produção de gás e petróleo, onde todos puderam sentir nas próprias mãos a extrema frieza do líquido do gás natural, que se evapora em contato com a pele. Também puderam ver, em pequenos tubos, o óleo fino de grande qualidade que é extraído em Urucu. Só aqueles três poços resultam numa receita diária para a Petrobrás de mais de US$ 2,5 milhões.
Dos poços exploratórios, a comitiva seguiu para o complexo de produção denominado Arara, uma espécie de pequena floresta de canos, tubos, torres e grandes tanques de armazenamento de gás e petróleo, que ocupam uma área de pouco mais de cinco hectares, onde o petróleo extraído nos poços tem seus componentes separados em gás de cozinha e óleo bruto. O gás e o óleo separados no complexo Arara vão por dutos de 250 km, que passam por debaixo da floresta, até o porto de Coari, na beira do rio Solimões. Todas as atividades realizadas em Urucu são movidas a energia elétrica gerada pelo gás natural produzido na região.
O gás natural, depois de retirado o gás de cozinha (GLP), é reinjetado no subsolo para ser extraído posteriormente para ser transportado pelo gasoduto de mais de 600 km que vem sendo construído entre Urucu e Manaus. O gás natural também será transportado para Porto Velho (AM) através de um gasoduto de 550 km, projetado pela Petrobrás para ser construído nos próximos três anos. Depois que passar a ser comercializado pelos gasodutos, o gás natural vai resultar em mais receitas para o governo estadual e os municípios amazonenses.
Cuidados ambientais
Do complexo Arara, a comitiva acreana se dirigiu então para a grande central de produção de mudas de árvores nativas que a Petrobrás, com apoio de técnicos e cientistas do Inpa, do Museu Goeldi e das universidades da região, cultiva para reflorestar as áreas que desmatou no passado ao implantar a província do Urucu.
Do viveiro, já saíram nos últimos anos mais de dois milhões de mudas de várias espécies de árvores amazônicas para reflorestar dois terços da área (cerca de 200 hectares), que foi desmatada no início da montagem do complexo petrolífero. Próximo ao grande viveiro, a comitiva pode caminhar por uma trilha na mata fechada para sentir de perto a boa energia transmitida pelos bons fluídos da floresta amazônica. (R.A.)
Presidente da Fieac participa de comitiva para conhecer a base
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), João Francisco Salomão, integrou a comitiva que visitou, no dia 02 de abril, a Província Petrolífera de Urucu - no município amazonense de Coari, que irá abastecer de gás natural nos próximos anos os mercados consumidores de parte da Amazônia Ocidental.
Além do presidente da Fieac, a comitiva foi composta pelo senador Tião Viana, por representantes do Governo do Acre, da bancada federal, da Assembléia Legislativa, de jornalistas, de Ong´s, ambientalistas e de técnicos da Agência Nacional de Petróleo (ANP) da Petrobrás. Todos sobrevoaram a região em que está sendo construído o gasoduto Coari-Manaus. E conheceram as instalações da base de exploração montada pela Petrobrás para extrair gás natural e petróleo da bacia petrolífera do rio Solimões.
"A visita a Urucu nos permitiu ter uma visão dos benefícios que a produção de gás e petróleo pode representar para a economia acreana, caso as prospecções que serão realizadas pela ANP resultem na existência desses dois combustíveis no território acreano", avaliou Salomão.
A viagem também permitiu aos acreanos verificarem que a produção de gás e petróleo causa impacto ambiental mínimo na floresta amazônica, pois a Petrobrás utiliza as mais modernas tecnologias na extração de suas matérias-primas. A Petrobrás construiu um viveiro com aproximadamente 86 mil mudas de espécies nativas da região amazônica selecionadas previamente à exploração da base. "Tais espécies são reproduzidas a fim de recompor da cobertura florestal da área após a perfuração de petróleo e gás natural", confirmou o presidente da Fieac
Com recursos garantidos no Orçamento Geral da União as prospecções de gás e petróleo no Acre definirão quais as quantidades das duas matérias-primas energéticas serão encontradas no subsolo acreano.
A perspectiva da presença de gás e petróleo no Acre é muito promissora, uma vez que o território acreano se encontra exatamente no meio das bacias sedimentárias do Amazonas, do Peru e da Bolívia, onde o grande potencial energético está animando todos os setores econômicos dessas regiões.
O presidente da Fieac voltou animado da viagem e comentou que se for somado os tributos e impostos do estado do Amazonas, a Petrobrás paga cerca de R$ 1 bilhão. "Exatamente 17% do ICMS recolhido pelo Amazonas são pagos pela Petrobrás. Mesmo sem estar sendo comercializado, o gás e o petróleo de Urucu já renderam ao Amazonas no ano passado mais de R$ 190 milhões em royalties e em participação especial na produção petrolífera. O município de Coari - cuja população é menos da metade de Cruzeiro do Sul - já recebeu cerca de R$ 200 milhões em royalties nos últimos cinco anos", disse Salomão.
Está previsto para se realizado, através do gabinete do senador Tião Viana, no dia 12 de abril, em Rio Branco, o primeiro debate público sobre as prospecções de petróleo e gás. Este será o momento em que toda a população do Acre será informada e poderá se manifestar sobre a atividade.
O Acre: Petrobrás descobriu petróleo no Estado em 1958
Petróleo pode parecer, mas não é um assunto novo no Acre. Sequer a prospecção de óleo é novidade. Em 22 de março de 1958, quase 50 anos atrás, o jornal O Acre relatou que exames geológicos preliminares, realizados na serra do Moa, foram positivos quanto à existência de petróleo em seu sub-solo Segundo o jornal, os engenheiros Gerhald Bischoff e Roberto Paixão comandaram os estudos que determinaram a presença de petróleo no município.
O jornal comenta que desde o início do século corria a conversa da existência de petróleo no Juruá, tendo sido motivo de pronunciamentos de políticos e do empenho do governador do então território, Valério Magalhães, que cobrava do governo federal a investigação acerca da possibilidade de prospecção petrolífera no estado. Estudos realizados entre 1935 e 1937, pelos geólogos Pedro Moura e Inácio Oliveira já haviam levantado a possibilidade da existência de vastas jazidas de óleo.
O que se faz, agora, é retomar a esperança de mais de 70 anos de realizar um trabalho real para tornar viável a utilização dessa riqueza que sempre esteve na preocupação dos acreanos.

A Tribuna, 05/04/2007

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