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Representante do Planalto ameaça usar força e irrita parlamentares

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: (Colaboração especial Feutmann Gondim)
07 de Mai de 2004

O clima esquentou ontem na reunião da bancada federal de Roraima com representantes do Palácio do Planalto, para tratar da terra indígena Raposa/Serra do Sol.
Cumprindo a decisão anunciada pelo presidente Lula de que a bancada roraimense seria ouvida antes de uma decisão, o Planalto enviou para a reunião com sete deputados e três senadores os adjuntos dos ministros Aldo Rebelo, Carlos Bonfim (Coordenação Política), e Luiz Dulci, César Alvarez (Secretaria Geral da Presidência).
O representante do ministro Aldo Rebelo seguiu a linha de seu chefe, que praticamente apadrinhou a causa dos políticos de Roraima. Já o ministro Dulci defende a demarcação em área contínua e seu representante na reunião disse que esta é a tendência.
Após ouvir o posicionamento de todos os parlamentares roraimenses, César Alvarez anunciou a possibilidade de que a demarcação seja mantida como estabelece a Portaria 820/98 (área contínua) e que, se for preciso, o Governo Federal usará a força para manter a ordem em Roraima.
O secretário adjunto da Secretaria Geral da Presidência afirmou que, depois de anunciada a homologação da reserva, se houver bloqueio de rodovias e invasões de prédios públicos, como ocorrido no início de janeiro, o governo usará a Polícia Federal e, se for o caso, o Exército, para evitar conflitos e retirar os não índios da Raposa/Serra do Sol.
A reunião foi encerrada nesse momento, com a declaração contundente do deputado Rodolfo Pereira (PDT) de que se estiver realmente disposto a levar esse plano adiante, o Governo Federal precisará se preparar para se responsabilizar por inúmeras mortes.
"Eu nasci naquela região, meu pai nasceu e meu avô nasceu. Se for preciso, nós vamos morrer lá, mas não vamos sair", declarou. No início da tarde, vários parlamentares de Roraima foram ao plenário registrar o ocorrido na reunião e anunciar a disposição de romper com o Governo Federal, se a homologação contrariar os interesses do Estado.
O deputado Almir Sá (PL) disse em plenário que a bancada de Roraima recebeu as declarações de César Alvarez como uma ameaça e, por isso, vai dar uma resposta à altura.
"Já estamos discutindo a posição da bancada que, por enquanto, tem votado a favor do governo em todas as matérias. Serão onze votos que o governo Lula vai perder nesta Casa em todas as votações", afirmou Sá, defendendo ainda o direito dos representantes políticos do Estado lutarem pelos interesses da maioria da população.
Além dos parlamentares de Roraima, participaram da reunião com os representantes do Palácio do Planalto o senador Delcídio Amaral (PT/MS), relator da comissão do Senado que tratou da Raposa/Serra do Sol, e o deputado federal Moacir Micheleto (PMDB/PR), presidente da comissão externa da Câmara criada com o mesmo objetivo.
Da bancada de Roraima, apenas a deputada Suely Campos não participou por estar em tratamento de saúde fora de Brasília. À tarde, o governador Flamarion Portela se reuniu com a bancada roraimense para avaliar a reunião da manhã e decidir os próximos passos.
Um dos indicativos é a mobilização dos partidos no Congresso para que definam uma posição em relação à Raposa/Serra do Sol, a começar pelo PMDB do senador Romero Jucá e do deputado Alceste Almeida.
Jucá anunciou na reunião, inclusive, que já havia comunicado ao presidente Lula que não teria condições de permanecer na liderança do governo, tampouco de sustentar sua posição no Congresso em defesa do presidente, caso a Raposa/Serra do Sol seja homologada com o objetivo de acabar com a economia de Roraima.

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