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Represas transbordam em SP e água invade casas

O Globo, O País, p. 11
28 de Jan de 2010

Represas transbordam em SP e água invade casas
Seis mil pessoas em 12 municípios ribeirinhos estão ameaçadas; mortos por causa das chuvas já são 64

Wagner Gomes e Leonardo Guandeline

São Paulo. Duas das seis represas do Sistema Cantareira, que abastece de água a capital paulista e cidades da Grande São Paulo, começaram a transbordar, o que não acontecia desde 1999. As outras quatro represas também estão no limite de sua capacidade. A água já invadiu casas em Bragança Paulista, a 83 quilômetros da capital, e Atibaia, a 59 quilômetros, onde pelo menos 900 famílias já tiveram de deixar suas residências. Ao todo, estão ameaçadas cerca de seis mil pessoas em 12 municípios ribeirinhos.

Subiu para 64 o número de mortos em São Paulo em decorrência das chuvas. Rosimeire Romero, de 45 anos, foi carregada pela enchente na terçafeira em Campinas. Duas pessoas continuam desaparecidas em São Roque. Entre desalojados e desabrigados são mais de 23,4 mil em todo o estado.

Em Atibaia, que já havia decretado estado de emergência, moradores já estavam morando em um ginásio e em contêineres e agora vão ser levados para mais um abrigo. O gerente de recursos hídricos da Sabesp, Carlos Roberto Dardes, disse que não há outra alternativa senão permitir o escoamento de água para os rios.

Ele espera que a Defesa Civil retire as famílias que moram em áreas de risco.

- O Sistema Cantareira está operando com 99,4% de sua capacidade máxima. As represas Atibainha e Jaguari estão com o volume total de operação. A partir de 100%, o que entra deve sair. Se cair 10 metros cúbicos de chuva, terão de sair 10 metros cúbicos de água das represas - disse Dardes.

Em Atibaia, 13 bairros estão cobertos de água depois que as comportas da represa da Sabesp foram abertas. Segundo a Defesa Civil, 200 famílias em situação crítica foram removidas para casas de parentes e abrigos improvisados.

Paulo Édson Cruz, de 49 anos, dono de um depósito de reciclagem, mora a mais de 500 metros do leito do rio Atibainha. Mesmo assim, a casa dele foi invadida pelas águas. Ele disse que foi a pior enchente dos últimos anos. O problema, segundo ele, é que desta vez, a água está demorando mais para baixar.

Morador critica abertura das comportas
Empresa diz que não pode ser acusada pela enchente em Atibaia

O massoterapeuta Marcos Emílio, de 48 anos, criticou a Sabesp pela abertura das comportas. Ele mora há 6 anos no Jardim Canimar, em Atibaia.

O bairro foi tomado pela chuva e os moradores estão sendo obrigados a retirar os móveis de barco. A água subiu mais de um metro na casa de Emílio, na Rua João Evangelista Chamadoira.

Segundo ele, com medo da estiagem, a Sabesp segurou a água na represa, que acabou não suportando o volume da chuva no início deste ano.

- Foi um erro. Não estaríamos passando por isso se a Sabesp tivesse soltado água do reservatório com antecedência. As comportas foram abertas e a água desceu livremente até aqui - disse Emílio.

O gerente disse que a Sabesp não pode ser acusada pelos municípios de ser a principal causadora das enchentes. Ele ressaltou que se não fosse o armazenamento de água das represas a situação das cidades estaria complicada há muito tempo.

- Retivemos no sistema ontem 140 ou 150 metros cúbicos de água por segundo. E descarregamos apenas 80. Se não houvesse a represa, o estrago seria maior. Já reduzimos o impacto das cheias nos municípios de baixo. Se não fosse a represa, a água da chuva viria arrancado tudo - disse Dardes.

O Globo, 28/01/2010, O País, p. 11

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