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Remanescentes de quilombolas debatem direitos neste sábado

O informativo do Vale http://www.informativo.com.br/
Autor: Carolina Schmidt
14 de set de 2018

Lajeado - Deise Franciele da Silva, Nataniele da Silva da Rosa e Ivani da Silva serão presença certa na reunião para as comunidades remanescentes de quilombolas, que ocorre neste sábado. Elas fazem parte do grupo Unidos do Lajeado, que fica no Bairro Planalto. No evento, às 14h, no Salão Nossa Senhora do Caravaggio, o Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar apresenta as políticas públicas disponíveis aos grupos de quilombolas a partir da certidão de autodefinição. "Elas fazem parte do Programa Brasil Quilombola e são essenciais para relembrarem dos antepassados e preservarem a cultura", destaca a extensionista rural social da Emater, Andreza Girelli. Também contará com a presença de representantes da saúde, educação e assistência social.

Segundo ela, como este grupo é urbano, o trabalho envolve a questão social. "Podemos proporcionar palestras e seminário sobre promoção da saúde, plantas aromáticas e segurança alimentar. Além disso, os esclarecimentos de seus direitos também fazem parte do nosso papel."

Antepassados

A história dos antepassados de Deise Franciele da Silva, Nataniele da Silva da Rosa e Ivani da Silva começou com a chegada de Geraldo Teobaldo da Silva no Vale do Taquari, na segunda metade dos anos de 1800. Ele foi escravo em uma fazenda de Teutônia e tinha 18 anos quando foi criada a Lei do Ventre Livre. Ajudou na construção da cidade de Estrela e faleceu com 123 anos. Deixou um legado de conhecimentos místicos, de ervas medicinais e sobre os valores da vida. "Teobaldo foi meu avô e pude conviver com ele por nove anos. Ele me ensinou a trabalhar com plantas medicinais e a benzedura. Essa história não pode morrer, precisa ser valorizada e levada para o município e região. Temos orgulhos de sermos quilombolas."

A luta pela oficialização começou em 2014. Ivani e o irmão, Vanderlei Adriano da Silva, que preside o grupo, reuniram a documentação sobre a história do avô para a Fundação Palmares conceder o reconhecimento dos integrantes como remanescentes de quilombolas. O órgão já autorizou a certidão de autodefinição para a comunidade, que conta com 30 famílias. "É muito importante para nós exercemos as nossas atividades e levarmos a nossa cultura para o povo do município como o artesanato, os pratos típicos e as vestimentas. Estamos sendo reconhecidos aos poucos pelos outros órgãos, e acredito que vai dar certo. Passamos por dificuldades e preconceito, mas temos que levar a história adiante", destaca ela.

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