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Relatórios quase verdes, empresas pouco maduras

O Globo, Eco Verde, p. 30
Autor: VIEIRA, Agostinho
07 de Jul de 2011

Relatórios quase verdes, empresas pouco maduras

Agostinho Vieira
oglobo.com.br/blogs/ecoverde

Em pouco mais de dois anos, o número de empresas brasileiras que estão produzindo e divulgando relatórios de sustentabilidade dobrou. Um índice, sem dúvida, digno de comemoração. O problema agora deixa de ser a quantidade e, sim, a qualidade. Um levantamento da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) mostra que apenas 15% desses documentos tiveram algum tipo de validação externa, feita por especialistas ou por empresas de auditoria.
Outro ponto a ser considerado são as razões que levam algumas companhias a surfar nessa onda verde. Uma pesquisa da KPMG, em 61 países, mostra que são dois os motivos principais: a pressão dos órgãos reguladores e o potencial dano à reputação.
Desde 2001, por exemplo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) exige que as empresas do setor publiquem seus relatórios sociais e ambientais.
De um modo geral, segundo a FBDS, os relatórios produzidos no Brasil estão num nível mediano, se comparados com as melhores práticas de outros países. Na prática, acabam sendo mais uma peça de marketing e raramente funcionam como um mecanismo de gestão ou de geração de valor. São poucas as empresas que, além das "conquistas", apresentam os problemas. A Natura é uma das poucas exceções. No documento de 2010, mostrava um aumento de 8,7% no consumo de água e um nível de serviço inferior ao desejado.
A tendência mundial é de crescimento, não só na quantidade de relatórios, mas na criação de outros pontos de contato com o consumidor. Sejam faturas de pagamento, embalagens, sites ou nas diversas mídias sociais. Nas bolsas de África da Sul, Malásia e Xangai, a prestação de contas socioambiental já é uma exigência legal. Resta saber se o espaço para a transparência crescerá na mesma proporção.

O Globo, 07/07/2011, Eco Verde, p. 30

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