OESP, Nacional, p. A8
04 de Dez de 2003
Relatório aponta aumento de assassinatos no campo
O Relatório Direitos Humanos no Brasil referente a 2003 revela que, no primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, aumentaram os assassinatos de trabalhadores rurais e de líderes indígenas. O documento, publicado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, diz que "o Brasil continua a apresentar um triste panorama de violações dos direitos fundamentais".
No lançamento do relatório, ontem, o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse que o aumento das mortes é uma reação a medidas do governo como a demarcação de terras indígenas e a reforma agrária. "O conflito vai aumentar no Brasil. Toda mudança provoca reações. O que temos que fazer é tirar o elemento violência do conflito, evitar as mortes", afirmou.
Segundo o relatório, o número de líderes indígenas assassinados aumentou de 7 em 2002 para 22 entre janeiro e outubro deste ano. O Conselho Indigenista Missionário informou que, depois de concluído o documento, mais um índio morreu, chegando a 23 assassinatos. Há ainda 3 índios desaparecidos em Mato Grosso e um suposto suicídio em uma delegacia de Pernambuco, versão contestada pela família do índio.
Citando números da Comissão Pastoral da Terra, o relatório aponta 61 assassinatos de trabalhadores rurais entre janeiro e novembro, sendo 35 no Pará. Em 2002 foram 43 mortes. "O ano foi marcado por forte violência contra trabalhadores sem terra. As comunidades estão sob ameaça permanente de agressão e despejos forçados, seja através da ação da polícia ou de milícias privadas", diz o relatório.
Em relação ao trabalho escravo, o relatório aponta 229 casos, envolvendo 7.623 trabalhadores, no Pará, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Desse total, 4.256 foram libertados. Em 2002, foram 127 casos envolvendo 5.089 trabalhadores. Nilmário assumiu o compromisso de erradicar o trabalho escravo até o fim do governo Lula, em 2006.
Alguns capítulos do texto são dedicados à violência urbana. A publicação informa que a Polícia Militar de São Paulo "matou 435 pessoas de janeiro a maio". Um aumento de 51% em relação ao mesmo período de 2002. (L.N.L.)
OESP, 04/12/2003, Nacional, p. A8
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