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Região une com sucesso pecuária e agricultura

OESP, Economia, p. B10
29 de Jun de 2008

Região une com sucesso pecuária e agricultura
Clima privilegiado e solo de boa qualidade permitem que Médio Norte de MT mescle soja e milho com aves e suínos

Fernando Dantas

O clima regular e excelente para a agricultura, associado à boa qualidade do solo depois de devidamente corrigido, faz do Médio Norte do Mato Grosso a meca da integração entre diferentes tipos de plantio, da pecuária e da criação de aves e suínos. Os produtores da região gostam de pontificar sobre os méritos da integração, a começar pelo mais célebre deles, o deputado estadual Otaviano Pivetta, ex-prefeito de Lucas do Rio Verde e dono do grupo Vanguarda do Brasil, que se vangloria de plantar 220 mil hectares de soja, algodão e milho, e de possuir muitas dezenas de milhares de bois.

O evangelho da integração é, de fato, seguido pelos produtores mais proeminentes da região. Darcy Ferrarin, 63 anos, que explora fazendas em Sorriso e outros municípios, diz que "o agronegócio deve ser visto como um sistema". Como a grande maioria dos desbravadores do Médio Norte, Ferrarin é gaúcho, e gosta de ressaltar os enormes sacrifícios e a titânica força de vontade que foram empregados para transformar as terras inóspitas, parcamente habitadas e sem nenhuma infra-estrutura em um dos mais dinâmicos celeiros do mundo. Os gaúchos, principalmente, e outros sulistas vieram em grandes números para o Médio Oeste nos últimos 20 a 25 anos.

Como bom agricultor, Ferrarin ressalta, com uma dose de razão, que a alta dos preços dos alimentos não se converte automaticamente em lucros, já que os insumos, como os fertilizantes, também dispararam. A integração, para ele, é justamente a forma de esparramar os ovos em mais cestas, e não ficar tão exposto ao vaivém de apenas uma ou duas commodities.

Ferrarin diz que Sorriso é o município com maior produtividade de soja no País, quase 30% acima da média nacional. Mas, assim como pode trazer lucros fabulosos, a oleaginosa tem seus momentos de crise, como em 2005 e 2006, anos duros que moderaram o vigoroso apetite para risco da "gauchada", a expressão coletiva que os próprios migrantes usam.

A estratégia dos agricultores adeptos da integração é a de plantar a chamada "soja precoce". O empresário Orcival Guimarães, um raro goiano entre gaúchos, diz que planta a soja em setembro e colhe em janeiro. Depois da soja precoce, a opção é a de plantar milho e algodão. A generosidade da chamada "safrinha" de milho é uma característica da região.

A pecuária, sobretudo na fase final de engorda, é praticada de forma concentrada em áreas ruins para a agricultura ou até com a introdução de capim em rotação com os plantios. Outra opção é o confinamento, com o uso de diversos subprodutos dos plantios como ração, da "silagem"(produzida a partir do caule e das folhas do milho) aos caroços e cascas de caroço do algodão. Hoje, porém, como explica Guimarães, há problemas no fornecimento de bois para engorda, o que explica por que o preço da carne subiu tanto.

OESP, 29/08/2008, Economia, p. B10

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