VOLTAR

Região se transforma na nova fronteira de produção de etanol

OESP, Especial, Economia, p. H4
06 de Mai de 2010

Região se transforma na nova fronteira de produção de etanol
ETH Bioenergia investe em alcoolduto e em nove usinas, sete delas no Centro-Oeste, para ser líder do setor até 2012

Ana Conceição
Agência Estado

O Centro-Oeste é a nova fronteira de expansão da produção de etanol no Brasil, na avaliação de José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, braço energético do Grupo Odebrecht. A região servirá como base estratégica de expansão da companhia nos próximos anos por causa da terra farta e ainda barata, comparada a outros centros produtivos, como o Sudeste.
"Nossa aposta é que o Centro-Oeste será a região de vocação natural para a expansão da cana-de-açúcar e para a consolidação do negócio de energia." Das nove usinas da ETH, sete serão ali. São três em Mato Grosso do Sul (Costa Rica, Santa Luzia e Eldorado), três em Goiás (Rio Claro, Morro Vermelho e Água Emendada) e uma em Mato Grosso (Alto Taquari). A companhia tem duas usinas em São Paulo.
Segundo Grubisich, a companhia investiu R$ 5 bilhões para a implantação inicial dessas usinas e há um programa de investimento de mais R$ 6 bilhões. "Criamos 8 mil empregos diretos e indiretos na região e seremos um de seus principais produtores de etanol."
Não é por acaso que, de acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), entre 1990 e 2009 a participação da produção da região no total do País dobrou, passando de 6,5% para 13,6%.
A ETH pretende ser líder em energia gerada por biomassa no Brasil e no mundo até 2012, com unidades integradas desde a produção agrícola até a de energia elétrica. No total, as nove usinas deverão produzir 3 bilhões de litros de etanol em 2012, além de uma capacidade de instalada para geração de energia de 1.200 MW. A receita deve chegar a R$ 4 bilhões.
A aposta da empresa é que o mercado nacional de etanol vai receber um forte impulso da substituição de carros a gasolina pelos flexíveis, que rodam com ambos os combustíveis. Nas contas da ETH, mais de 80% dos veículos serão "flex fuel" até 2016, o que elevaria a demanda interna de atuais 24 bilhões para 65,8 bilhões de litros por ano.
A frota deve passar de 24 milhões para 42,3 milhões de veículos. Além do combustível, a ETH projeta uma elevação de 1,7 bilhão para 4,2 bilhões de litros no consumo de etanol industrial no Brasil entre 2009 e 2016.
Na arena internacional, a aposta é que os Estados Unidos relaxem as restrições à importação. O país vai precisar de 60 bilhões de litros de etanol para atender o mercado doméstico em 2016. O Japão é outro mercado potencial. O país deve adicionar 10% de álcool à gasolina nos próximos cinco anos, gerando demanda adicional no mercado externo de 6 bilhões de litros.
Logística. A Região Centro-Sul ainda deverá receber aportes da empresa para a construção de um alcoolduto. A expectativa é de que o conselho da companhia aprove o projeto - de R$ 2 bilhões - em até 180 dias. "O duto é fundamental para reduzir os custos de logística e o impacto ambiental do transporte de álcool da região até o Porto de Santos."
Segundo ele, o duto vai alavancar a rentabilidade das usinas da ETH na região, que ainda receberá investimentos da PMCC, da Petrobrás, cujo duto sairá de Senador Carneiro, em Goiás, e seguirá para Paulínia (SP).
O executivo explicou que o duto da ETH, de 1.200 quilômetros, sairá de Alto Taquari, na divisa de Mato Grosso e Goiás, vai até a divisa de Goiás com Mato Grosso do Sul, depois Ribeirão Preto e Santos, já em São Paulo. A empresa espera atrair parceiros para este investimento.

OESP, 06/05/2010, Especial, Economia, p. H4

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100506/not_imp547696,0.php

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.