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Reforma agrária segue em ritmo lento no Pará

O Globo, O País, p. 18
20 de Abr de 2008

Reforma agrária segue em ritmo lento no Pará
Rica em minerais, região é palco de conflitos pela terra

Ronaldo Brasiliense
Enviado especial

O rico Sudeste paraense - que detém em seu subsolo as maiores jazidas de ferro, cobre e níquel do país, na maior província mineral do planeta, a de Carajás - há décadas é o palco dos maiores conflitos agrários por uma razão simples: entra governo, sai governo, e não se faz reforma agrária na região.
Em 2007 o governo Lula não fez uma única desapropriação de terra na região - diz frei Henry dês Roziers, advogado da Comissão Pastoral da Terra em Xinguara, há mais de dez anos na lista dos ameaçados de morte na Amazônia.
Frei Henry, que tema proteção de dois policiais militares desde o assassinato da missionária Dorothy Stang, em Anapu, em fevereiro de 2005, acompanhou passo a passo as ações do MST no 17 de abril, no 12o ano do massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás. Ele prevê o recrudescimento da luta pela reforma agrária no Sul e no Sudeste do Pará, onde aumentaram os acampamentos de trabalhadores sem terra para trabalhar.
Polícia Militar não dá proteção a oficiais de Justiça
A falta da reforma agrária acirra os ânimos entre as partes em conflito: o MST incentiva a invasão de propriedades produtivas, os fazendeiros recorrem à Justiça e conseguem mandados de reintegração de posse, que quase nunca são cumpridos porque, no caso do Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) se recusa a pôr a Polícia Militar para proteger os oficiais de Justiça nas ações de despejo.
Não é preciso ir muito além da sede do município de Parauapebas para se ver situações de extrema penúria entre os sem-terra. No assentamento Diria Teixeira, a 12 quilômetros do centro da cidade, mais de mil famílias esperam há mais de ano a regularização das terras que ocuparam da Fazenda São Marcos, titulada e produtiva, vivendo em barracos de taipa, cobertos de palha.
- Estamos cansados de esperar que o governo faça alguma coisa por nós - diz Raimundo Nonato Souza, maranhense, há mais de um ano no acampamento à espera da reforma agrária do governo Lula.
Em Parauapebas, os dias seguintes à paralisação da ferrovia de Carajás, da mineradora Vale, foram de alívio. Centenas de policiais civis e militares enviados de Belém retornaram à capital e, no acampamento Palmares II, a 100 metros do local onde a ferrovia foi bloqueada, líderes do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros da Mineração (MTM), como Antonio Clemente, de 67 anos, ameaçavam com novas paralisações:
- A gente nasce para morrer. Se o governo não atender nossas reivindicações, voltar a bloquear a ferrovia da Vale é um instrumento de luta.

O Globo, 20/04/2008, O País, p. 18

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