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Autor: Sabrina Vale
16 de Jun de 2012
O detalhamento do plano de negócios 2012-2016 que a Petrobrás divulgará a partir do dia 25 deste mês deve mostrar que a refinaria Premium 2, do Ceará, orçada em cerca de US$ 10 bilhões, ficou de fora dos compromissos da empresa para os próximos anos. O projeto é responsabilidade da área de refino, a que mais sofreu perda de investimentos, com queda de US$ 5,1 bilhões em relação ao plano do ano passado.
A construção da Premium 2 é um dos projetos retirados do plano de negócios por ainda não ter sua viabilidade garantida. A informação não consta do documento apresentado pela Petrobrás nesta semana, em versão resumida, uma novidade em relação à divulgação de anos anteriores, quando os investidores tiveram acesso imediato ao detalhamento do plano estratégico da empresa.
A companhia informou em nota que os detalhes sobre o investimento de US$ 236,5 bilhões para o quinquênio, anunciado quinta-feira, seguirá um "calendário de eventos" que só se inicia no dia 25. Até lá, não será conhecida a íntegra do plano.
Segundo fontes ligadas à empresa, a Petrobrás precisou antecipar a divulgação, prevista para julho ou agosto, por pressão do governo (controlador da companhia), que confia nos cofres da companhia para alavancar o nível de investimento no País e ajudar a impulsionar a economia.
Agora, a equipe técnica da Petrobrás se empenha para terminar de planejar o empreendimento.
A estatal não desistiu da refinaria, mas sua retirada do plano de negócios é reflexo direto do estilo que a presidente da empresa, Graça Foster, está imprimindo na empresa. Obcecada por metas e prazos, Graça quer evitar que a Petrobrás volte a descumprir a previsão de investimento e produção, como aconteceu no ano passado, para frustração do mercado. O plano de negócios é um compromisso da empresa com investidores para um prazo de cinco anos.
Serão retirados projetos que não têm a viabilidade garantida. No caso da refinaria, a Petrobrás ainda não recebeu autorização para sua instalação no terreno, que fica em área indígena, e teria decidido se descomprometer com o prazo e com o investimento. A refinaria, com capacidade para 300 mil barris por dia, iniciaria produção em 2017 e parte dos cerca de US$ 10 bilhões entrariam no plano de negócios 2012-2016.
Na prática, o método de Graça deve elevar a execução dos investimentos, e não apenas com a exclusão de projetos que poderiam ser abandonados no meio do caminho. O documento determina que 88% dos investimentos (US$ 208,7 bilhões) são para projetos com viabilidade financeira garantida.
Apenas 12% estão alocados para projetos ainda em estudo e o documento divulgado determina que, caso algum projeto não tenha a viabilidade comprovada, seus recursos serão realocados para outros empreendimentos.
Segundo fontes, isso significa que projetos que não aparecerão no plano podem passar à frente se comprovarem rentabilidade para a companhia.
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