OESP, Notas e Informações, p. A3
11 de Mai de 2008
Redução da perda de água
Em 2007 a Sabesp conseguiu reduzir a produção de água em 500 litros por segundo, apesar de ter feito 100 mil novas ligações na região metropolitana de São Paulo - e não faltou água para ninguém. Tradicionalmente, o volume de água produzida tem aumentado entre 1.000 e 1.500 litros por segundo, anualmente, para atender os 300 mil novos habitantes que chegam por ano à Grande São Paulo. A redução da produção, em 2007, foi resultado de um programa de combate às perdas que a empresa passou a desenvolver depois de universalizado o abastecimento de água na cidade.
Desde 2005, a Sabesp tem substituído 250 mil hidrômetros em média, anualmente, para evitar falhas de leitura e fraudes. Além disso, controla a pressão em quase metade da rede de distribuição, usando válvulas redutoras de pressão. Como São Paulo é uma cidade de topografia acidentada, a pressão na rede de abastecimento varia muito, causando vazamentos nas velhas tubulações e aumentando as perdas pelas fissuras existentes nos ramais.
Em conjunto com a Prefeitura de São Paulo, a Sabesp também participa do programa de urbanização de favelas. Uma vez regularizada a posse dos favelados, a estatal fornece os serviços de saneamento. Somente na Favela de Paraisópolis, no Morumbi, a Sabesp investirá R$ 35 milhões neste ano em obras de saneamento que beneficiarão 80 mil pessoas. Na segunda etapa do projeto de urbanização da favela, a Prefeitura e governo federal destinarão mais R$ 160 milhões para obras viárias, habitacionais e para os serviços de educação e saúde pública.
A Sabesp também tem investido na capacitação de recursos humanos e exige das empresas terceirizadas, responsáveis pela manutenção da rede, a contratação de profissionais com formação adequada para a função. Mantém com a Japan International Cooperation Agency intercâmbio de experiências e tecnologias entre os peritos japoneses e seu corpo técnico para atingir metas de redução de perdas fixadas para os próximos anos. A qualificação da mão-de-obra dos fornecedores já produz resultados. Atualmente, são reparados mais de 36 mil vazamentos a cada mês na região metropolitana de São Paulo, e o tempo médio de reparo caiu de 72 horas (em 1995) para 16 horas.
Desde 2000, normas internacionais para avaliação de desempenho de sistemas de abastecimento estabeleceram limites de tolerância para os desperdícios de água. Na região metropolitana de São Paulo, somadas as perdas reais (vazamentos da rede) e as chamadas perdas aparentes (fraudes e subleituras de hidrômetros), perdiam-se 531 litros por ligação por dia, em 2007. Em março passado, esse volume caiu para 487 litros por ligação por dia, uma redução que, se mantida, permitirá que a Sabesp atinja a meta de 170 litros por ligação por dia, em 2015.
Hoje, perdem-se no Município de São Paulo aproximadamente 30% do volume de água produzido. É um índice alto, principalmente quando comparado ao de cidades como Tóquio, no Japão, onde a perda é de apenas 4,7%.
Ocorre que parte dos 53 mil quilômetros da rede de distribuição de São Paulo é quase centenária. A maior parte da rede foi instalada entre as décadas de 60 e 80, quando a taxa de crescimento populacional da Grande São Paulo atingiu índices entre 7% e 8% (hoje é de 1,4%). Para atender ao rápido incremento da demanda, a qualidade e a eficiência das instalações acabaram prejudicadas, e os resultados se manifestam nos freqüentes rompimentos da rede, nos vazamentos e nas falhas na distribuição.
Ainda é preciso considerar que o consumo na região metropolitana sempre foi excessivo e durante muito tempo as autoridades não se preocuparam com a poluição de rios e córregos, numa área de disponibilidade hídrica exígua.
Só agora a Sabesp desenvolve um programa consistente de redução dos desperdícios de água - e os resultados são bons. A par da manutenção da rede, agora é preciso incentivar a população a fazer uso racional da água.
OESP, 11/05/2008, Notas e Informações, p. A3
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