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Recuperacao de passivos deslancha

GM, Meio Ambiente, p.A12
01 de Jul de 2004

Recuperação de passivos deslancha
Faturamento das empresas que fazem diagnóstico e despoluição cresceu 37% em 2003. O mercado de diagnóstico e recuperação de solos e águas subterrâneas está em expansão: no ano passado, apresentou um crescimento de 37% em relação a 2002. É o que revelou pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Diagnóstico e Remediação de Solos e Águas Subterrâneas (Aesas) com suas 17 empresas associadas, responsáveis por 70% do volume de negócios do setor. Em 2003, as empresas tiveram um faturamento de R$ 95 milhões - no ano anterior, havia sido de R$ 69 milhões.
O segmento inclui empresas que fazem estudos em áreas contaminadas e apontam as medidas necessárias para recuperação desses locais, tornando-os aptos novamente para empreendimentos diversos, como projetos habitacionais e de expansão industrial.
Segundo a Aesas, o mercado total brasileiro, em 2003, movimentou um volume de negócios estimado em R$ 120 milhões. "Esses valores representam não só o crescimento do setor, mas também maior preocupação por parte das empresas que necessitam de estudos nessa área", afirma Rivaldo Mello, presidente da Aesas. Companhias dos setores siderúrgico, petroquímico, alumínio, celulose e papel e infra-estrutura estão entre os principais clientes.
A pesquisa realizada pela Aesas fundamentou-se nas informações colhidas junto às associadas e teve o objetivo de medir o tamanho desse mercado, que tem crescido devido às necessidades legais de recuperação de áreas degradadas.
O setor congrega em sua maioria micro e pequenas empresas de base tecnológica, com pouco tempo de atuação no mercado. As primeiras empresas surgiram no final da década de 1970, quando a legislação ambiental brasileira começou a ser estabelecida. Em meados dos anos 1990, empresas de engenharia passaram a abraçar o filão da consultoria ambiental.
ABottura Consultoria Solos e Águas Subterrâneas, de São Paulo, se enquadra nesse perfil. A empresa foi criada em 1996 pelo geólogo João Alfredo Bottura, que foi pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) durante 23 anos. Hoje são dez funcionários, entre geólogos e técnicos em gestão ambiental, que prestam serviços a 20 clientes fixos da área industrial e dois do setor de construção e incorporação.
A demanda maior é para estudos de caracterização de passivos (70%). A etapa seguinte, de recuperação de áreas contaminadas, representa 30% da procura pelos serviços. "O mercado está aquecido. Sofre com as oscilações da economia, mas está diretamente ligado às exigências da sociedade e, no caso das indústrias, à necessidade da certificação ISO 14001", diz João Alberto Bottura, sócio proprietário da Bottura. A empresa atende clientes como Solvay Indupa, Ferrovias Ferronorte, International Paper do Brasil, Siemens Automotive, entre outras.
Desoneração tributáriaO setor pode crescer ainda mais, mas esbarra no excesso de tributação, na avaliação de Rivaldo Mello, da Aesas. "A carga tributária nos preocupa pois, na condição de prestadores de serviços, não temos como repassar o aumento dos tributos, como a Cofins", diz. Uma desoneração tributária, com redução nas alíquotas de importação de equipamentos, tornaria a eliminação de passivos mais acessível, com vantagens para o meio ambiente.
A estruturação dos órgãos de controle ambiental também deve fomentar a atuação das empresas de diagnóstico e recuperação de passivos. À medida que novas áreas contaminadas são descobertas, a demanda será cada vez maior. "Nosso modelo de desenvolvimento foi sujo durante décadas. A recuperação de áreas degradadas não pode ser feita somente sob coerção da sociedade civil, dos órgãos ambientais e Ministérios Públicos", conclui Mello.

GM, 01/07/2004, p. A12

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