OESP, Geral, p.A10
20 de Jan de 2004
Rebelo apresenta modificações ao projeto da Lei de Biossegurança Entre alterações, deputado centraliza decisão sobre pesquisas com OGMs na CTNBio
ROSA COSTA
O relator do projeto de Lei de Biossegurança, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), líder do governo, introduziu uma série de modificações no parecer preliminar que apresentará hoje, em Brasília, à comissão especial da Câmara encarregada de examinar a proposta. Ele remove os obstáculos às pesquisas com células-tronco para fins terapêuticos e centraliza na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) a decisão sobre as pesquisas com Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). O conselho interministerial que decidirá sobre a comercialização passará a ser composto por 14 e não mais 11 ministros.
Por coincidência, os novos integrantes, ministros da Fazenda, Planejamento e Defesa, são menos resistentes aos transgênicos do que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Rebelo disse que preservou os "fundamentos do projeto original", que, segundo ele, seriam o de dotar o País de uma legislação atualizada "e que o capacite a desenvolver a biotecnologia para defesa do meio ambiente e da saúde da população".
Para o vice-presidente da comissão especial, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), as mudanças sugeridas pelo relator elevaram o nível da proposta.
Crítico do projeto original, por achar que dificultava as pesquisas no País, Perondi acredita que as alterações "farão o Brasil dar um salto na área de biotecnologia". Ele defende que a proposta volte a tramitar em regime de urgência para apressar sua aprovação, sobretudo no Senado, onde, pelas suas previsões, começará a tramitar no fim de fevereiro.
Um pedido de vistas deve paralisar o andamento do parecer do relator até a próxima semana. Perondi acredita que será possível votá-lo na Câmara ainda no período da convocação extraordinária, que termina no dia 13. O presidente da Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP), Aluízio Borém, coordena a mobilização de pesquisadores que, a partir de hoje, acompanharão toda a tramitação da matéria no Congresso. Borém explicou que o setor se preocupa com o risco de serem aprovadas medidas capazes de inviabilizar a pesquisas com OGMs no País.
Mercado paralelo - Embora a soja viva seu melhor momento na Argentina, a Monsanto deixou de vender suas sementes por não conseguir ganhar nem um dólar com o negócio. A companhia diz que um enorme mercado negro para as sementes transgênicas torna impossível recuperar seus investimentos nesse que é o terceiro produtor mundial da oleaginosa. Até que isso mude, a empresa assegura que não venderá sementes novas e melhoradas de soja nem fará estudos para desenvolver variedades sob medida para as condições locais. (Com Reuters)
OESP, 20/01/2004, p. A10
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