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Racha entre lideranças causa protesto indígena

O Liberal - Belém - PA
31 de mai de 2001

Um racha entre lideranças indígenas tem sido o principal motivo para as manifestações de protesto feitas pelos índios Tembé em Belém nos últimos dois dias. Ontem, em audiência com o procurador-geral da República, Ubiratan Cazetta, os índios da aldeia Canindé demonstraram preocupação com os rumos que foram tomados no mês passado durante a ocupação da sede da Funai, em Belém. Na ocasião, índios da aldeia Tekohaw fizeram funcionários da Funai reféns como forma de pressionar para que houvesse uma troca no serviço de atendimento médico aos índios das aldeias localizadas no município de Paragominas. Houve até uma ameaça de saída dos índios do município.

Os índios que estavam até ontem em Belém reclamam que não foram consultados e sequer ficaram sabendo o que foi definido na Funai durante a ocupação do prédio. Eles concordam com algumas críticas ao serviço de saúde de Paragominas, mas acham precipitado decidir pela retirada das tribos do município, disse Cazetta. Segundo ele, há uma preocupação geral a respeito desse assunto. Nenhuma liderança indígena presente à audiência com o procurador quis falar sobre a reunião.

O indigenista Francisco Potiguara, que participou das discussões, confirmou que está havendo realmente um racha entre os índios da região. Em Paragominas estão localizadas 13 aldeias ligadas aos Tembé. Não se sabe ainda quantas apóiam a ameaça de saída de Paragominas defendida pelo líder indígena Sérgio Tekohaw e quantas estão ligadas aos canindé, que defendem um aprofundamento das discussões.

O procurador Ubiratan Cazetta afirmou que pretende fazer reuniões, na primeira quinzena de junho, com lideranças de ambas as tribos. Serão duas reuniões com cada comunidade indígena e, depois, uma reunião geral, onde todas as reivindicações serão analisadas.

Pará Pigmentos faz negociações

A Pará Pigmentos (PPSA), empresa do Sistema Vale do Rio Doce, esclarece a sua posição quanto aos índios Tembé. A empresa afirma que está em negociação para entendimentos com os índios Tembé, que moram em uma reserva a 24 quilômetros de Tomé-Açu. Cerca de 60 índios da tribo estão em Belém desde segunda-feira, 28. Na reunião na Procuradoria-Geral da República, eles afirmaram que a empresa teria desrespeitado o compromisso de promover ações para minimizar o impacto ambiental na região, durante a construção do mineroduto - há cinco anos - que transporta o caulim de Ipixuna (PA) até o terminal de Ponta da Montanha, em Barcarena (PA). A diretoria da Pará Pigmentos enviou nota com esclarecimentos sobre os projetos que estão sendo desenvolvidos na área. Segundo o diretor de operações da PPSA, José Aparecido Oliveira, os programas desenvolvidos na região estão relacionados à agricultura, saneamento básico, educação e saúde, proteção ambiental e terras indígenas. Não vemos dificuldades em estender algumas propostas do programa, desde que façam parte de nosso foco de atuação social, na área de educação e desenvolvimento sustentável, garante o diretor.

No programa de agricultura, a empresa concretizou o que foi acordado com os índios e entregou para a comunidade, em 1996, um trator agrícola, uma carreta de pequeno porte, uma roçadeira, uma enxada rotativa e um conjunto aradora. Quanto ao saneamento básico, a empresa diz que investiu cerca de R$ 78 mil no programa, incluindo mão-de-obra, consultoria e materiais. Em educação e saúde, de acordo com o diretor, desde novembro de 1996 a PPSA vem cumprindo sua responsabilidade, pagando o salário de dois professores e dois monitores de saúde que atendem as comunidades indígenas. No programa de educação ambiental, segundo ele, a empresa monitora os igarapés das terras indígenas para verificar a qualidade da água e subsidiar o projeto de saneamento básico.

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