OESP, Vida, p. A19
13 de Dez de 2006
R$ 77 mi contra o efeito estufa
Governo lança linha de financiamento para empresas que queiram reduzir emissão de poluentes
Lígia Formenti
Empresas brasileiras interessadas em reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa na linha de produção poderão agora ter acesso a financiamentos direto do governo. O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Odilon Marcuzzo do Canto, anunciou ontem a criação do Programa de Apoio a Projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (Pró-MDL), uma linha formada com recursos dos fundos setoriais e que contará, até 2009 ,com R$ 77 milhões.
Serão analisados projetos para incorporação de tecnologias já existentes, como fontes "limpas" de energia (que não emitem carbono na atmosfera), e planos de desenvolvimento de novas técnicas. É uma tendência mundial - a área recebe financiamento de milhões de dólares em todo o mundo.
O intuito é diminuir a quantidade de dióxido de carbono e metano, por exemplo, na atmosfera. Além de ajudar na luta contra o aquecimento global, as empresas ainda poderão vender a emissão evitada no mercado internacional de carbono.
Previstos no Protocolo de Kyoto, acordo internacional para redução de gases do efeito estufa, créditos de carbono são cedidos por agências de proteção ambiental mediante a comprovação da redução de emissão desses gases. Cada crédito equivale a uma tonelada de carbono. Em agosto, sua cotação variava entre 15 a 18.
Atualmente, empresas brasileiras que procuram reduzir a emissão de poluentes recorrem a financiamentos internacionais. Como projetos não foram ainda realizados, há sempre um deságio dos créditos, que varia entre 40% e 60%. "É quanto cobram pelo risco do projeto", diz Canto.
Apesar da perda de dinheiro, as empresas brasileiras estão entre as que mais buscam o mercado de carbono: 575 projetos propostos no mundo, 135 são do País. Com a nova linha de financiamento, o presidente acredita que o mercado vai se expandir. "O Brasil poderá ter uma participação de 10% de créditos de carbono que, em 2010, deverá representar cerca de US$ 1 bilhão", diz. "O Pró-MDL vai trazer mais agilidade para aprovação de propostas e permitir que empresários se livrem do deságio dos créditos de carbono."
GANHO MORAL
Canto diz que os benefícios da linha não se limitam a meia dúzia de empresas. "Ganhamos tecnologia limpa, aumentamos a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, recolhemos mais impostos e há mais geração de empregos."
As propostas já podem ser enviadas. Os projetos de novas tecnologias - que devem contar com a colaboração de institutos de pesquisa - receberão parte do dinheiro a fundo perdido, para estimular a parceira com cientistas.
O chefe do Departamento de Agronegócios da Finep, Fabrício Brollo, afirmou que empresas de vários setores podem ser beneficiadas. "O agronegócio, por exemplo, pode criar mecanismos para tratamento dos dejetos de animais, evitando a emissão de metano, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa."
Além de não exigir o reembolso do pagamento a centros de pesquisa para a criação de tecnologias, o Pró-MDL também deverá financiar gastos com a formulação de relatórios ou de metodologias que definam o volume de emissão de gases poluentes pela empresa e o quanto poderá ser reduzido. Este é um processo caro e burocrático, mas necessário: eles definem as chamadas metodologias de linhas de base que, num segundo momento, podem ser aproveitadas também por outras empresas.
OESP, 13/12/2006, Vida, p. A19
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