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R$ 200 milhões para despoluir 40 córregos

OESP, Metrópole, p. C4
21 de Mar de 2007

R$ 200 milhões para despoluir 40 córregos
Prefeitura e Estado se unem para a 1.ª fase do projeto, que vai durar 4 anos e deve aumentar rede coletora e total de ligações domiciliares de esgoto

Juliano Machado

Uma ação conjunta entre Prefeitura e governo do Estado vai tentar mudar uma realidade com a qual os paulistanos tiveram de se habituar a conviver: córregos poluídos por esgoto e todo tipo de entulho. Lançada ontem, a primeira fase da Operação Natureza terá um investimento de R$ 200 milhões, nos próximos quatro anos, para despoluir 40 córregos da capital, beneficiando 2,35 milhões de pessoas. Em dez anos, a meta é deixar limpos todos os cerca de 300 córregos da cidade.

O Estado, por meio da Companhia de Saneamento Básico (Sabesp), entrará com R$ 164 milhões para aumentar a rede coletora e o número de ligações domiciliares de esgoto. Caberá à Prefeitura, que vai destinar R$ 36 milhões, fazer a limpeza manual dos córregos, manutenção da rede de microdrenagem (galerias e bocas-de-lobo) e reurbanização das áreas ao longo dos cursos d'água, inclusive com remoção de famílias.

O governador José Serra (PSDB) disse que o objetivo é "impedir que os córregos continuem como esgoto a céu aberto". Para isso, segundo ele, serão feitas campanhas educativas, voltadas principalmente para a população da beira dos córregos. "Só na obra da calha do Rio Tietê recolhemos 800 mil pneus. Não há investimento que possa contrabalançar esse inconveniente."

Dos córregos incluídos na operação, o Ipiranga terá as obras mais complexas, por conta de sua extensão e de seus vários afluentes. Apenas nele serão investidos R$ 41,15 milhões. Outra intervenção importante será no Córrego do Sapateiro, que polui o lago do Parque do Ibirapuera, na zona sul, com aporte de R$ 18,5 milhões. Estão na lista também córregos que geralmente inundam, como o Tiquatira, o Rincão (afluente do Aricanduva) e o Machados, todos na zona leste. A secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena, afirmou que foram priorizados na escolha os córregos que não foram "tamponados" (cobertos). "Depois de limpos, eles podem se integrar novamente à paisagem urbana."

O prefeito Gilberto Kassab (PFL) disse que a limpeza dos córregos será um importante fator de combate às enchentes. "À medida que o esgoto e vários detritos são retirados, facilita o fluxo da água." Ele afirmou que deverá haver remoções de famílias que vivem em áreas de risco nas 18 subprefeituras envolvidas no programa, mas não soube dar um número estimado. "Posso dizer que será uma quantidade muito pequena."

A operação é um passo importante, mas não o suficiente para resolver o problema das inundações, na opinião do engenheiro José Eduardo Cavalcanti, especialista em recursos hídricos do Instituto de Engenharia. "As campanhas de conscientização têm de focar também a limpeza das bocas-de-lobo. É ali que as enchentes costumam começar, bem antes de chegar aos córregos." Ele até sugeriu à Prefeitura a criação de um "disque-bueiro", por meio do qual qualquer pessoa avisaria sobre uma boca-de-lobo entupida, mas a proposta não vingou.

GUARULHOS

Serra voltou a fazer a críticas à prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, por despejar 100% de seu esgoto no Rio Tietê. "É uma ação errada. Existe rede coletora, há a possibilidade de tratamento, mas a prefeitura não faz a conexão." Ele cobrou que a cidade chegue a um entendimento com a Sabesp. A secretária Dilma Pena disse que se trata de uma "decisão política inadequada" da prefeitura.

O superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos, João Roberto Moraes, disse que a prefeitura pede à Sabesp, desde 2001, a execução de obras de ligação da rede coletora à Estação de Tratamento de Esgoto de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, mas não foi atendida. Isso poderia elevar para 25% o índice de tratamento de esgoto da cidade. "Talvez essa cobrança do governador, embora ele não tenha sido bem informado, possa mudar alguma coisa dentro da Sabesp."

OESP, 21/03/2007, Metrópole, p. C4

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