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Quilombolas e Indígenas do Espírito Santo continuam na retomada das suas
terras


30 de Jul de 2007

Quilombolas e Indígenas do Espírito Santo continuam na retomada das suas
terras

Há oito dias se mantém a retomada do quilombo Linharinho, no município de
Conceição da Barra, dentro do território de 9.543 ha reconhecidos como
território quilombola pelo Incra. Com apoio de militantes do MST, MPA e
entidades ligadas à Rede Alerta contra o Deserto Verde, os quilombolas
cortaram os eucaliptos do local e construíram nesses oito dias barracas,
montaram uma cozinha, realizaram atividades culturais e plantio de ervas
medicinais, árvores nativas e frutíferas. 82% do território de Linharinho
está sob a posse da empresa Aracruz Celulose.

Também há sete dias os índios Tupinikim/Guarani reiniciaram a retomada dos
11.009 hectares, também em disputa com a Aracruz Celulose. Fecharam o acesso
à área para os não-índios que estavam entrando ilegalmente na área, cortando
e retirando eucalipto, e iniciaram a reconstrução da aldeia Olho d´Água, que
foi destruída violentamente pela Polícia Federal com todo o apoio da Aracruz
Celulose em janeiro de 2006.

A Aracruz Celulose declarou na imprensa local que já recorreu à Justiça e já
teria conseguido uma reintegração de posse. Na última quinta-feira, um
oficial de Justiça chegou até o quilombo Linharinho para entregar uma
notificação, mas ela não foi recebida pelos ocupantes. Na área indígena,
nenhuma notificação da Justiça foi recebida até agora.

Ambas as ações estão sendo realizadas para pressionar o governo federal para
que regularize o mais rápido possível os territórios indígena e quilombola
no Espírito Santo. Há 40 anos essas terras foram invadidas pela Aracruz
Celulose, que desmatou a área e substituiu a mata nativa pela monocultura de
eucalipto. Hoje, as comunidades quilombolas e indígenas lutam pela
recuperação das suas terras, não apenas para abrigar as famílias, mas também
para dar um outro uso à terra, com o reflorestamento e a produção agrícola
diversificada agro-ecológica.

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