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Quilombolas alertam para falsa campanha de arrecadação em redes sociais - Campanha para arrecadar cestas básicas foi denunciada ao MPF

Diário de Petropólis
Autor: Jaqueline Ribeiro
10 de jun de 2020

Reconhecida desde maio de 2011 pela Fundação Palmares, como remanescente do Quilombo no Brasil, a Comunidade Quilombola da Tapera foi alvo de uma falsa campanha de arrecadação divulgada nas redes sociais. O caso foi denunciado ao Ministério Público Federal na segunda-feira (08.06) e está sendo acompanhado pelo procurador da República Charles Stevan da Mota Pessoa. Atualmente 18 famílias vivem na comunidade Quilombola da Tapera, que fica no Vale da Boa Esperança em Itaipava.

- O que foi feito é muito grave. Não estávamos sabendo de nada disso. Incomodou muito a todos nós da Tapera saber dessa campanha envolvendo a comunidade, inclusive com a divulgação de fotos nossas sem a nossa autorização. Todos nós sempre trabalhamos e continuamos trabalhando aqui na região mesmo. Não estamos pedindo nenhuma doação. Sempre que fazemos alguma campanha ela envolve toda comunidade - afirma o vice presidente da associação dos Quilombolas da Tapera, Alexsandro André Barbosa, que diante do ocorrido, a comunidade procurou ajuda do MPF.

- Procuramos os nossos direitos e ajuda no MPF, pois fomos expostos a uma situação que não é real e isso é muito grave - completa um dos representantes dos Quilombolas

A campanha foi divulgada em redes sociais. A publicação, apresenta uma foto dos Quilombolas e traz o texto: "Vamos ajudar nossa Comunidade Quilombola?" A publicação informa sobre a necessidade de arrecadação de produtos para a entrega de oito cestas básicas para famílias afetadas e informa um ponto para a arrecadação, no Centro.

A publicação traz o nome do Projeto Empatia. A responsável pelo projeto, Isabel Lopes de Oliveira, informou que ocorreu um engano, uma vez que a entidade abraçou o pedido apresentado por uma mulher que fez o pedido em nome dos Quilombolas, sem comunicá-los. Ela informou ainda que a correção foi feita, retirando as postagens da campanha do ar. Uma nova publicação na página do projeto nas redes sociais foi feita esclarecendo o ocorrido. A entidade também informou que fez contato com representantes dos Quilombolas para esclarecer o caso. A responsável afirma ainda que o projeto Empatia é "uma instituição muito séria sem fins lucrativos atendendo a um número grande de pessoas afetadas pela covid-19".

O caso está sendo acompanhado pelo procurador da República, Charles Stevan da Mota Pessoa, que tem uma reunião marcada com uma comissão dos Quilombolas da Tapera.

- A diretoria juntamente com o Adão vão fazer uma reunião hoje com o MPF para discutir o assunto. A representante do projeto entrou em contato conosco e nos passou que se tratou de um engano. O que mais nós entristeceu foi ver nossas fotos exposta de uma forma tão constrangedora e sem que autorizássemos. Só fomos saber porque uma amiga entrou em contato, preocupada. Esperamos mesmo que isto tudo não tenha passado de um engano, e que essa doação que arrecadaram em nosso nome possa ir para quem realmente precise. Por isso fizemos a denúncia ao MPF - afirma a quilombola Denise André Barbosa.

https://www.diariodepetropolis.com.br/integra/quilombolas-alertam-para-…

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