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Quilombo de Porto Velho inaugura Casa do Mel com muita festa

ISA - http://www.socioambiental.org
Autor: Juliana de Melo Leonel Ferreira
19 de out de 2011

Os quilombolas de Porto Velho, em Iporanga, no Vale do Ribeira (SP), celebraram a inauguração da Unidade de Beneficiamento do Mel no último sábado (15/10), que vai fortalecer a geração de renda na comunidade.

A entrega da Casa do Mel é resultado do processo que envolveu o ISA, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), a Equipe de Assessoria e Articulação das Comunidades Negras do Vale do Ribeira (Eaacone) e a comunidade de Porto Velho, com financiamento da Fundação Banco do Brasil e da cooperação italiana por meio do Movimento per l'Autosviluppo, l'Interscambio e la Solidarietá (Mais). O objetivo é incrementar a produção melífera nos quilombos do Vale do Ribeira como alternativa para complementação de renda.

A festa começou pela manhã com a celebração de uma missa na igreja da comunidade, enquanto representantes dos quilombos do Vale do Ribeira e organizações parceiras chegavam. Em seguida, houve a inauguração com uma mesa de abertura onde estiveram representados o quilombo Porto Velho, o ISA, a Eaacone, o Itesp e a Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo. Todos os que falararm foram unânimes em apontar o sucesso do projeto, principalmente, à mobilização e organização da comunidade.

Depois, todos visitaram as instalações da Casa do Mel onde puderam ver como se processa o mel, esclarecer as dúvidas e saber quais as possibilidades de certificação para o mel orgânico e as perspectivas de continuidade, ampliando as ações de apicultura para as comunidades vizinhas.

Apicultura em Porto Velho

A atividade de coleta do mel para consumo próprio já era realizada em Porto Velho, mas foi a partir de 2003 que, com o apoio da Mitra Diocesana, começou-se a pensar na apicultura como forma de geração de renda. Em 2007, um projeto elaborado pela comunidade e o ISA, com apoio do Itesp, inaugurou novo processo com o início da construção da unidade de beneficiamento, compra de equipamentos e capacitação dos apicultores para fazer o processamento e a comercialização.

Para Renato Nestlehner, técnico responsável pelo projeto no ISA, o objetivo é fortalecer a geração de renda com a atividade apícola e, quando sair a certificação da casa, agregar valor e inserir o produto também da merenda escolar. "De imediato, eles vão melhorar o sistema de processamento deles, aperfeiçoar os canais de comercialização atual. Era uma coisa meio artesanal e agora é uma mini-indústria".

Segundo Renato, a importância da atividade apícola também passa pela sustentabilidade: "O projeto tem a perspectiva de aumentar a produção de mel com os novos pastos apícolas que estão sendo implantados pela Campanha Cílios do Ribeira, de recuperação das matas ciliares do Vale do Ribeira. Saiba mais).

Isso é importante também para manter os recursos hídricos do território. A comunidade tem sofrido com falta d'água e a restauração das matas ciliares pode ajudar nesse sentido. Para a recuperação de 5,38 ha foram escolhidas espécies melíferas", explica. No início do projeto a comunidade possuía cerca de 50 colmeias com produção média de 18 kgs por caixa. Hoje a produção média alcança 30 kgs por caixa e já conta com 150 colmeias. A comunidade de Porto Velho pretende chegar até o final do próximo ano com aproximadamente 400 colmeias, contando com a ampliação do grupo de apicultores.

O presidente da Associação Remanescente de Quilombo de Porto Velho, Osvaldo dos Santos, ressalta a importância de ampliar as oportunidades de geração de renda para garantir a fixação dos jovens quilombolas em seu território e fortalecer a luta por seus direitos. Para ele, o projeto terá continuidade com as atividades previstas nas comunidades vizinhas que poderão contar com esta Casa do Mel para processamento e envase do produto.

Um farto café da manhã preparado pelas mulheres de Porto Velho e apresentações culturais. Deram prosseguimento às comemorações. O Quilombo de Sapatu, por exemplo, mostrou a dança tradicional da Nha Maruca e Porto Velho apresentou uma volta da Romaria de São Gonçalo. Foi um momento de intercâmbio entre as duas comunidades, já que a Nha Maruca não é mais praticada em Porto Velho e a Romaria de São Gonçalo não acontece mais em Sapatu. Apesar da chuva que não deu trégua, a festa seguiu madrugada adentro, com muito foguetório, leilão de assados e muito forró tocado ao vivo.

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3433

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