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A questão indígena no Brasil

Diário da Manhã (Goiânia - GO)
24 de abr de 1983

O Censo de 1980 será o primeiro a considerar a população indígena.

O Estatuto do Índio mostra as contradições da política indigenista, sendo a primeira delas o fato de que Funai não cumpre com seu papel de proteção ao índio, pois é um órgão do Ministério do Interior, o mesmo responsável pelos projetos de desenvolvimento, comprometido com as grandes empresas nacionais e internacionais. Outra contradição diz respeito a configuração da lei de propriedade das terras indígenas, que tanto não leva em conta a maneira coletiva de posse de território dos indígenas - propriedade comunal da terra - , quanto abre precedentes para a remoção dos indígenas de seus territórios. Existe atualmente uma pressão dos povos indígenas e seus aliados contra o teor racista da política indigenista oficial, que nega o direito de autodeterminação dos povos; contra o projeto de emancipação indígena, que seria na verdade um projeto de "emancipação das terras indígenas" e contra a estadualização da Funai.
Os distintos povos indígenas vem sofrendo ameaças as suas terras, frente ao interesse de grandes projetos de mineração, de construção de hidrelétricas. Os Yanomami vem sofrendo ataques desde a construção da Perimetral Norte (1974). Também, pela entrada de garimpeiros e mineradoras (Vale do Rio Doce). Dessa forma, a luta se concentra pela criação do Parque Yanomami de forma contínua, abrangendo toda a área tradicionalmente habitada pelos Yanomami, não pulverizada (como é da proposta da Funai). Já os Parakanã, afetados primeiramente pela construção da Transamazônica, problemas com a chegada de doenças, enfrentam também a construção da hidrelétrica de Tucuruí. Uma série de outros casos de violências contra os povos indígenas são frequentes também, desde conflitos com fazendeiros até as entradas de escolas e missões colonizadoras.

Em entrevista, Mário Juruna, líder xavante fala do descrédito da Funai com os índios, critica o projeto de emancipação, a atuação da Funai, o coronel Nobre da Veiga (atual presidente), os missionários salesianos. Fala também de sua participação no Tribunal Russel, onde pode fazer uma série de denúncias (inclusive de Nobre da Veiga); critica, no entanto, a falta aparente de resultado do Tribunal.

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