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Queimadas: Ibama quer prorrogar proibição (MT)

Gazeta de Cuiabá
18 de ago de 2005

O diretor de proteção Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Brasília, Flávio Montiel, quer que o período de proibição às queimadas em Mato Grosso se estenda por mais 30 dias. Se a proposta for aceita, as queimadas só serão permitidas no Estado a partir de 15 de outubro e não mais a partir de 15 de setembro, como determina portaria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). A solicitação foi apresentada ontem ao secretário de Meio Ambiente de MT, Marcos Machado, que deve avaliar a medida e tomar uma decisão sobre o assunto até o final desta semana, segundo assessoria de imprensa.

Apesar de queimar menos que em anos anteriores, a situação no Estado ainda é considerada "alarmante". Dados do Programa de Prevenção e Controle de Queimadas e Incêndios Florestais na Amazônia Legal (Proarco) registraram ontem 283 focos de calor em MT, segundo medição do satélite NOAA-12. No acumulado do mês, já são 4,9 mil e no ano 14,1. Esses focos estão localizados em áreas importantes, como as 15, das 36 unidades estaduais de conservação. Além de atingir essas terras, que devem somar apenas 2% da área total do Estado, os focos também se propagam em cinco terras indígenas (Tapirape/Karaja; Areões, Kayabi, Paresi e Pimentel Barbosa).

O coordenador do Proarco, Ari Nogueira informa que uma das dificuldades que o sistema têm é a de não saber qual a extensão dessas áreas que são queimadas. "Como essas unidades não têm gerência e estrutura de fiscalização no local, a única coisa que dá para sabermos é que queima. Mas nunca em que proporção", observa.

Um dos incêndios que provoca a preocupação dos funcionários do Ibama é o da unidade de conservação estadual parque "Encontro das Águas", localizada entre os municípios de Barão de Melgaço e Poconé, na divisa de Mato Grosso com Mato Grosso do Sul. A área faz parte do Pantanal de Mato Grosso.

Levantamento feito na região pelo major do Corpo de Bombeiros responsável pelo monitoramento de incêndios florestais na Defesa Civil, Paulo Barroso, indica que o fogo já destruiu 25 mil hectares do Pantanal, de sábado (13) até ontem.

Depois de sobrevoar a área, Barroso produziu um relatório e encaminhou a Machado solicitando 40 homens, R$ 80 mil e quatro carros ou um carro e uma aeronave. O material seria utilizado no combater ao incêndio, num prazo de 10 dias. O relatório, no entanto, não havia chegado às mãos de Machado até às 16h de ontem. Barroso ainda encaminhou um ofício para a equipe do Prevfogo em Cuiabá, solicitando equipamentos como abafadores, bombas, GPS, cantis e enxadas. "Só estamos aguardando determinação para seguir para a área. O fogo continua, e se pular o Rio São Lourenço corremos o risco dele queimar todo o parque". Ao receber a proposta de estender o período de proibição de queimadas, Machado afirmou que o Ibama também pode pensar em liberar o transporte dos cerca de 400 mil m3 de madeira, extraídas em situação irregular e armazenadas, como forma de compensação.

MT não teve plano nem dinheiro

O chefe da Coordenadoria de Unidade de Conservação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Elder Monteiro Antunes, afirma que as unidades de conservação de Mato Grosso queimam atualmente em consequência da falta de planejamento e recursos para o setor.

Além do parque estadual Encontro das Águas, o parque do Cristalino II, em Alta Floresta e o parque Serra de Ricardo Franco, em Pontes e Lacerda estão entre as unidades de conservação com o maior número de focos de calor em Mato Grosso.

O fogo na região seria consequência, em sua maioria, da continuidade da prática de queimada em fazendas. "Em anos anteriores o trabalho de prevenção a incêndios começava aqui no mês de maio, abril. Grupos de 15 a 30 funcionários iam a campo conversar com os moradores das áreas e de seus entornos, para que evitassem a queimada".

Em 2005, Antunes informa que o trabalho não foi desencadeado. "Para evitar incêndios é indispensável fazer a prevenção. Este ano, no entanto, faltou recursos e planejamento". O coordenador lembra que muitas das unidades de conservação ainda são áreas privadas, que têm fazendeiros morando. Na Encontro das Águas, por exemplo, hoje existem cerca de 10 fazendas. "Eles não usam plano de manejo, perdem controle do fogo e começa o incêndio. Mas, também tem aquele que é criminoso e acidental, quanto a esses é muito difícil evitar. Mas uma coisa é certa, depois que o fogo começa o controle nessas áreas é muito complicado".

Os animais do Pantanal que o digam. O caseiro do hotel pausada Mangueiral, no município de Barão de Melgaço, Carlos de Oliveira, afirma que há quatro dias o incêndio passou pela região ganhando corpo, força e levando tudo pela frente.

Segundo Oliveira, a agitação dos bichos é vista nas tentativas de travessia do rio Piquiri, quando buscam a outra margem. "Daqui a gente vê onça, porco e outros animais tentando atravessar", afirmou. A Sema estima que muitos animais já tenham morrido com o incêndio no Encontro das Águas.

Dinheiro só chega em setembro

Um convênio no valor de R$ 700 mil, que deveria ter sido assinado em maio de 2005, entre o Ibama e a Sema, foi adiado em função da operação "Curupira" e só deve ser efetivado nos próximos dias. Por conta do adiamento, os recursos destinados a ações estaduais de combate a incêndio, só devem chegar em Mato Grosso no mês de setembro.

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Flávio Montiel, admite que o atraso na efetivação do convênio prejudica Mato Grosso, mas, lembra que não poderia ser diferente. "Não tínhamos como fazer o repasse de recurso para o Estado sabendo que a operação seria desencadeada. Então decidimos ficar no aguardo", informou. Para que o dinheiro seja liberado a Sema deve concordar com os termos do convênio e assinar o compromisso. "Se decidirmos pelo convênio e eu tiver garantia que esse dinheiro vem, eu faço dívida. Não preciso necessariamente esperar ele chegar", disse o secretário Marcos Henrique Machado.

Combate - De Cuiabá, Montiel fez vários contatos e conseguiu que uma aeronave do Exército chegue hoje a Mato Grosso para sobrevoar novamente a área do parque Encontro das Águas, no Pantanal. A intenção é de localizar um ponto de apoio para que 70 brigadistas vindos de Mato Grosso do Sul e do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães sejam enviados para o combate ao incêndio no local.

O diretor ainda viabilizou o empréstimo do "Rodofogo", um caminhão do combate a incêndio do Ibama, com capacidade de transportar 30 pessoas para áreas de combate.

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso não conta com equipamentos básicos de combate a incêndio em floresta e em razão disso a estrutura também será emprestada.

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