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Queda do CO2 e surgimento da Antártica

O Globo, Ciência, p. 26
15 de Set de 2009

Queda do CO2 e surgimento da Antártica
Pesquisa comprova relação entre níveis de gás-estufa e formação de gelo

Ao estudar amostras de rochas na África, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar uma forte relação entre a queda dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e a formação da cobertura de gelo da Antártica, há 34 milhões de anos.

A constatação reforça resultados obtidos por modelos climáticos que preveem a criação de cobertura de gelo quando os níveis de CO2 caem e o derretimento das áreas quando o CO2 aumenta.

Cientistas das universidades de Cardiff, Bristol e Texas A&M passaram algumas semanas na savana africana, na Tanzânia, com um grupo armado para protegê-los dos leões, para obter amostras de pequenos fósseis de conchas de plâncton que guardam o registro das concentrações de CO2 na atmosfera há 34 milhões de anos.

Neste período, há uma queda misteriosa dos níveis de CO2 na atmosfera, que marca a chamada transição climática, e o início da formação do gelo antártico. Na época, a concentração de CO2 era de 750 partes por milhão, cerca de o dobro da atual.

- Foi a maior mudança climática registrada desde a da época da extinção dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás - afirmou a co-autora do estudo, Bridget Wade, da Universidade Texas A&M.

- Não existem amostras de ar desta época que possamos medir - constata Paul Pearson, da Universidade de Cardiff. - Temos que achar algo que responda a determinadas concentrações, que registre esses níveis de CO2.

No vilarejo de Stakishari, o grupo descobriu um tipo específico de microfóssil capaz de revelar as concentrações de CO2 no passado.

Há 34 milhões de anos, esses plânctons viviam na superfície do oceano.

Como o CO2 é muito ácido, em grandes concentrações ele provoca mudanças na acidez dos oceanos que ficam registradas nos fósseis.

O novo estudo foi publicado na "Nature" on line

O Globo, 15/09/2009, Ciência, p. 26

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