O Globo, O País, p. 12
09 de Dez de 2005
Que este caso não seja igual a tantos outros
Ismael Machado
David Stang, irmão de Dorothy Stang, chegou ao Brasil para acompanhar o julgamento dos acusados de matar a missionária assassinada em fevereiro evitando fazer críticas diretas à política agrária do governo Lula. David Stang disse que veio ao país para cobrar justiça no julgamento de Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista - assassinos confessos da missionária - que começa hoje de manhã e deve terminar amanhã à noite.
- Que este caso não seja igual a tantos outros ocorridos no Brasil, onde os culpados não são punidos - disse David Stang, que está em Belém com a irmã Marguerite Stang Holm.
- Podemos esperar é que o assassinato de minha irmã não tenha sido em vão - disse Marguerite Stang.
Juiz diz que é o caso mais importante do Pará
O juiz Cláudio Montalvão das Neves disse que este é o julgamento mais importante do Judiciário paraense, por causa da grande repercussão nacional e internacional e pelo trabalho da vítima no estado. Ele espera que o julgamento termine às 21h de amanhã.
Os integrantes do júri serão escolhidos hoje na presença do público. A capacidade do auditório é de 150 pessoas. Um telão vai transmitir o julgamento. Estima-se que cerca de mil agricultores acampem em frente ao prédio do Tribunal de Justiça. A segurança será feita por 120 homens da assessoria militar de TJ, Batalhão de Choque da PM e da Guarda do Tribunal. No acesso ao Fórum, os visitantes serão submetidos a detectores de metal manuais e nas portas.
Os irmãos da missionária estiveram na CNBB em Belém e participaram de uma reunião com líderes rurais. Também conversaram com as irmãs da Congregação Notre-Dame, da qual Dorothy fazia parte.
David Stang disse que ficou indignado com a tentativa de manchar a imagem da freira por parte dos advogados de Rayfran, que acusaram Dorothy Stang de municiar os lavradores para confrontos com fazendeiros:
- A arma que minha irmã usava era a palavra cristã. Dizer que ela armava os camponeses é absurdo. É só olhar as estatísticas. Quantos trabalhadores rurais morreram e quantos latifundiários foram assassinados? Que guerra é essa em que apenas um dos lados tem baixas?
Os irmãos de Dorothy fizeram contato com a representante do Secretariado Geral da ONU sobre Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilan, que esteve em Marabá, onde recebeu do coordenador da Comissão Pastoral da Terra, José Batista Afonso, relatório sobre violação aos direitos humanos na região. A representante da ONU vai acompanhar o julgamento dos acusados de matar Dorothy.
O Globo, 09/12/2005, O País, p. 12
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