O Globo, Especial, p. 6
19 de Jun de 2012
Protestos de movimentos sociais dão nó no trânsito
Camila Nobrega
camila.nobrega@oglobo.com.br
Martha Neiva Moreira
martha.moreira@oglobo.com.br
Enquanto no Riocentro a ex primeira-ministra da Noruega Gro Bruntland, e a ex-presidente do Chile e diretora da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, defendiam ontem a necessidade de se dar mais poder e informação às mulheres, no Centro do Rio movimentos feministas na Cúpula dos Povos paravam o transito pela manhã. Cerca de 31 organizações saíram em passeata contra a economia verde, tema central da conferência da ONU, e pela liberdade feminina. Com faixas e tambores, as manifestantes, algumas com seios de fora, tomaram as principais vias do Centro, causando engarrafamento. O congestionamento continuou ao longo do dia, com uma manifestação de povos indígenas na porta do BNDES e de outro de ambientalistas contra o Código Florestal.
O carioca enfrentou engarrafamentos de até sete quilômetros. Segundo a presidente da CET-Rio, Cláudia Secin, uma das vias mais afetadas foi a Linha Vermelha, sentido Centro, onde o órgão registrou um aumento de 33,4% no tempo do percurso entre a Ilha do Governador e a chegada ao Centro, no período entre 10h e 12h. Na Avenida Brasil, o tempo de percurso aumentou 50%, Também sofreram reflexos da efervescência da cidade as avenidas Radial Oeste e São Francisco Xavier. Mas, segundo o coordenador de operações e logística da cidade durante a Rio+20, Carlos Roberto Osório, o deslocamento das delegações não foi afetado.
As manifestações começaram pouco depois das 8h, quando integrantes de movimentos, como Marcha Mundial das Mulheres e Via Campesina, saíram do Sambódromo em direção ao Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, onde acontece a Cúpula dos Povos. Cerca de cinco mil pessoas seguiram pelas avenidas Presidente Vargas, Rio Branco e Beira Mar e, depois da parada no MAM, continuaram pelas avenidas Almirante Barroso, Rio Branco e Nilo Peçanha e pela Rua da Assembleia até o Largo da Carioca.
Segundo Graciela Rodrigues, líder da Articulação das Mulheres Brasileiras, a ideia era chamar a atenção para a mercantilizarão da Natureza e a retirada dos direitos humanos do documento final da ONU:
- Ao defender a economia verde, o documento final da conferência está privatizando bens comuns, como o acesso à água.
De sutiã, a curitibana Camila Ohana, militante da SOS Floresta do Paraná, protestava contra a violência sexual.
As mulheres devem ter o direito de fazer o que quiserem com o próprio corpo. Mulher não é objeto sexual defendeu a jovem, que gritava "A nossa luta é por respeito, mulher não é só bunda e peito".
A indiana Gracs Shatsang também estava no protesto, denunciando a dominação masculina em seu país. De acordo com Gracs, na hora de escolher quem vai estudar, as famílias indianas privilegiam os homens.
Após a marcha das mulheres, índios contrários aos investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em grandes empreendimentos na Amazônia, como a usina de Belo Monte, pararam o transito com arcos e flechas, no caminho até a sede do banco, também no Centro: Todas as portas do prédio do banco foram fechadas por precaução. O cacique Werakwaray, do Espírito Santo, disse que uma comissão de 12 índios negociou com autoridades da instituição.
Em nota, o BNDES informou que os manifestantes se reuniram com o vice-presidente da instituição, João Carlos Ferraz. Ficou acertada a formação de uma comissão de cinco representantes dos povos indígenas, que será recebida em julho. O objetivo é que os líderes e o banco elaborem uma agenda de trabalho conjunto.
O Globo, 19/06/2012, Especial, p. 6
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