Adital
05 de Nov de 2009
Proposta brasileira para Copenhague sem consenso
Robson Braga *
Terminou sem consenso a reunião na última terça-feira (3) do governo brasileiro sobre a proposta que será enviada, em dezembro, para a Convenção do Clima em Copenhague (COP 15). Lá poderá ser aprovado o documento que substituirá o Protocolo de Kyoto e valerá de 2012 a 2020. O Ministério do Meio Ambiente defendeu a proposta de redução de 40% das emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2020. O Ministério das Ciências e tecnologia e o Itamaraty discordam. Uma nova reunião será realizada em duas semanas.
Só houve consenso sobre a redução de 80% do desmatamento da Amazônia para o mesmo período. Segundo especialistas, esse valor só reduziria 20% da emissão de CO2. Os outros 20% deveriam ser atingidos com auxílio dos setores siderúrgico, agropecuário, transporte e energia.
O governo federal propõe um incentivo fiscal ou financeiro para as empresas siderúrgicas que substituírem o carvão mineral por carvão vegetal sustentável.
Apoiando a postura do Ministério do Meio Ambiente, os grupos ambientalistas defendem que a economia do país não será prejudicada, e sim, estimulada pela visibilidade internacional que uma postura mais progressista alcançaria.
Os ministérios das Ciências e Tecnologia e das Relações Exteriores alegam que as propostas tidas como "ousadas" devem partir dos países ricos. Essa também é a postura de países em desenvolvimento como China e Índia, que se negam a apresentar propostas avançadas sem que os países em desenvolvimento façam o mesmo. No sentido inverso, a postura é a mesma.
"O Brasil está se pautando por uma postura que não é a dele, está atrelado aos demais países de seu grupo [de economia em desenvolvimento]. Ele poderia ganhar protagonismo caso apresentasse uma proposta realmente ousada para a redução de CO2", defendeu Raul do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA).
Adital, 05/11/2009
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