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Projetos do PPI ignoram a gestão de riscos climáticos

Valor Econômico, Brasil, p. A3
Autor: CHIARETTI, Daniela
12 de Dez de 2017

Projetos do PPI ignoram a gestão de riscos climáticos

Daniela Chiaretti

A gestão de riscos climáticos não está incorporada nos projetos inseridos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o principal programa de infraestrutura do governo Temer. Projetos portuários, por exemplo, não consideram a elevação do nível do mar. Nos planos de construção de ferrovias não há projeções sobre as safras de grãos no futuro. Na construção de hidrelétricas não se leva em conta o risco hidrológico.
"O Brasil não tem estratégia de desenvolvimento carbonizado, quanto mais descarbonizado", diz Natalie Unterstell, autora do relatório "Decisões Sobre Infraestrutura Considerando Riscos Climáticos: Guia Prático Para Decisões Com Impacto no Longo Prazo no Brasil", feito em parceria com o WWF-Brasil.
As perdas anuais com desastres naturais são estimadas em mais de R$ 9 bilhões, segundo estudo de pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Universidade Federal de Santa Catarina. Mensalmente, as perdas são próximas a R$ 800 milhões. Atualmente, 25% das cidades brasileiras estão com estado de calamidade pública decretada - por seca, chuva, ou por ambas.
Natalie Unterstell, administradora de empresas e atual coordenadora da câmara de adaptação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, analisou 93 dos projetos do PPI - rodovias, hidrelétricas, ferrovias, terminais portuários, aeroportos, linhas de transmissão. "Era um conjunto razoável de concessões novas, ou que seriam renovadas. Mas nenhuma considera a mudança climática na gestão de risco", afirma.
Ela diz que, por conta do aumento do nível do mar, o porto de Roterdã foi elevado em cinco metros. Uma seca que praticamente inviabilizou uma hidrelétrica em Uganda fez com que o Banco Africano de Desenvolvimento elaborasse um manual onde a mudança do clima é colocada em perspectiva em qualquer investimento. " No Brasil, os técnicos do Planejamento argumentam que os cenários climáticos são incertos. Mas projetar PIB ou inflação para planejar a concessão de infraestrutura em 40 anos também é incerto", diz ela.
O documento de 60 páginas descreve experiências adotadas em países com suas metodologias de gestão de riscos. "Ao assegurar uma infraestrutura planejada, que se prepara para lidar com eventos extremos, estaremos evitando perdas econômicas altíssimas", diz Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil.

Valor Econômico, 12/12/2017, Brasil, p. A3

http://www.valor.com.br/brasil/5224803/projetos-do-ppi-ignoram-gestao-d…

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